O presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou nesta sexta-feira (8) a promulgação da Lei da Dosimetria, uma decisão que será publicada em edição extra do Diário Oficial da União. O ato de Alcolumbre fundamenta-se na Constituição Federal, que confere ao Presidente do Senado a prerrogativa de promulgar leis quando o Presidente da República não o faz no prazo constitucional de 48 horas.

Esta nova legislação tem impacto direto na aplicação de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito, especialmente para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Naquela ocasião, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, inconformados com o resultado das eleições de 2022, depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, clamando por um golpe militar e a deposição do presidente democraticamente eleito.

O projeto de lei havia sido integralmente vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alegou violação do interesse público ao reduzir penas para crimes contra a democracia. Contudo, o veto presidencial foi derrubado pelo Congresso Nacional, abrindo caminho para a promulgação da lei.

A Lei da Dosimetria estabelece que os crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão na aplicação da pena mais grave, em vez da soma de ambas as penalidades. O foco da legislação é uma mudança no cálculo das penas, visando “calibrar a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”.

As mudanças beneficiarão um universo significativo de condenados. O Supremo Tribunal Federal (STF) já sentenciou 1,4 mil pessoas por crimes contra a democracia, com 431 penas de prisão, 419 penas alternativas e 552 acordos de não persecução penal. Conforme levantamento do STF, o maior grupo de condenados é composto por 404 réus que receberam penas de um ano de prisão, equivalendo a 28% do total. Em seguida, registram-se 213 condenações a 14 anos de prisão, representando 15,19%. A pena mais elevada, de 27 anos e três meses, foi aplicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além do ex-presidente, a lei pode impactar militares como Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Para usufruir da redução, os condenados deverão ingressar com um pedido de recálculo da pena junto ao Supremo Tribunal Federal.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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