A mais recente pesquisa Datafolha revela um cenário desafiador para o Supremo Tribunal Federal (STF), com a avaliação negativa da corte atingindo o patamar mais elevado desde o início dos levantamentos. O dado sublinha uma crescente desconfiança e insatisfação da população brasileira com a atuação do poder judiciário, em um momento de intensa polarização política.
Este recorde de reprovação não é um evento isolado, mas o reflexo de um período de decisões controversas e da crescente visibilidade da corte no centro do debate público. Analistas apontam que a percepção de ativismo judicial, onde o STF, para muitos, extrapola suas funções constitucionais e adentra em esferas tipicamente do Executivo e do Legislativo, tem sido um dos principais motores dessa queda na popularidade.
Questões como a judicialização da política, a anulação de sentenças de grande impacto, a flexibilização de garantias processuais ou a intervenção em temas morais e econômicos dividem a opinião pública e alimentam o questionamento sobre a imparcialidade e a independência dos ministros. A constante exposição dos magistrados em embates públicos, muitas vezes com forte repercussão nas redes sociais, também contribui para a erosão da imagem institucional.
O levantamento do Datafolha, reconhecido por sua metodologia rigorosa na amostragem da opinião pública nacional, aponta que a insatisfação com o STF supera picos anteriores, marcando um ponto crítico na relação entre a suprema corte e a sociedade. A alta reprovação pode minar a legitimidade das decisões da corte e dificultar sua capacidade de atuar como árbitro final das questões constitucionais. Para a instituição, o desafio é reverter essa percepção negativa, buscando maior transparência, previsibilidade em suas decisões e um diálogo mais efetivo com a sociedade e os demais poderes. A sustentação da democracia exige instituições fortes e com a confiança popular.
Por Marcos Puntel