Milhares de manifestantes tomaram a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, neste domingo, em um protesto contra projetos de anistia a golpistas e a chamada “PEC da Blindagem” de parlamentares. A marcha ocupou todas as faixas do Eixo Monumental.
Sob o sol, a multidão seguiu um trio elétrico, após discursos de lideranças políticas do Distrito Federal e apresentações de rimas. O trajeto de aproximadamente 1,5 quilômetros culminou em frente ao Congresso Nacional, onde o cantor e compositor Chico César encerrou o ato com um show. A manifestação se estendeu das 9h às 14h.
Com o lema “Congresso Inimigo do Povo”, os manifestantes entoaram palavras de ordem como “sem anistia” e “queremos Bolsonaro na cadeia”, em referência à condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal. A decisão judicial reconheceu a responsabilidade de Bolsonaro e seus aliados na tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022, culminando nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Os cartazes exibiam frases como “sem bandidagem”, em alusão à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) conhecida como “PEC da Bandidagem”, “PEC da Blindagem” ou “das Prerrogativas”. A proposta em questão prevê que a abertura de processos judiciais e investigações contra parlamentares necessite da aprovação da maioria das respectivas casas legislativas.
Uma participante, Keyla Soares, expressou indignação com a proposta que exige autorização prévia do Parlamento para processar criminalmente deputados e senadores. Já a estudante Sara Santos criticou a PEC e o PL da anistia, afirmando que os parlamentares buscam se proteger da Justiça e que não se pode aceitar anistia contra quem atacou a democracia e tentou um golpe de Estado.
A delegada aposentada Maria Lúcia de Souza criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mencionou a suposta conexão entre o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o PCC, enquanto o servidor público Albert Scott defendeu a punição para os envolvidos na tentativa de golpe.
Atos semelhantes contra a anistia e a PEC da Blindagem foram realizados em outras cidades do país, incluindo diversas capitais. As manifestações foram convocadas por frentes ligadas ao PSOL e PT e contaram com a participação de sindicatos, grupos estudantis, artistas, movimentos sociais e partidos de esquerda e centro-esquerda.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br