O secretário de Estado de Fazenda de Mato Grosso, Fábio Pimenta, negou nesta sexta-feira (15) que a suspensão das exportações de carne bovina do estado para a União Europeia vá resultar em impacto direto na receita pública. Em declaração feita à imprensa, Pimenta argumentou que os pecuaristas mato-grossenses mantêm negócios com uma vasta gama de outros mercados internacionais.
“O estado de Mato Grosso exporta carne para vários destinos, por exemplo: para a China, Índia e Estados Unidos. Então, o impacto eventual de uma restrição, por exemplo, da União Europeia, não vai impactar tanto porque nós temos diversos clientes”, pontuou o secretário. Ele acrescentou que a diversificação se estende a outros produtos agrícolas como soja, milho, algodão e carne suína, destinados a diversos mercados, o que minimiza a probabilidade de um impacto imediato.
A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes, animais vivos e derivados para o bloco foi recebida com surpresa pelo mercado na semana passada. A medida entrará em vigor no dia 3 de setembro, com o comércio ocorrendo normalmente até essa data. A suspensão foi justificada pela União Europeia como resultado da falta de garantias por parte do Brasil quanto ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária, um requisito exigido pelas novas normas sanitárias europeias.
Mato Grosso, que possui o maior rebanho bovino do Brasil, registrou um crescimento significativo nas exportações de carne bovina. No primeiro trimestre de 2026, as vendas externas alcançaram US$ 1,136 bilhão, um aumento de 74% em relação ao mesmo período do ano anterior. O estado também atingiu um recorde histórico de abate nesse período, com 1,8 milhão de bovinos. A expectativa para 2026 é que a pecuária movimente mais de R$ 42 bilhões em Mato Grosso, valor que representa mais de 20% do Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária estadual. Os dados foram apresentados na abertura da edição 2026 da Acricorte, realizada na quinta-feira (14), no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://www.nortaomt.com.br