O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados adiou a análise da representação por quebra de decoro parlamentar contra os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Zé Trovão (PL-SC) e Marcel Van Hattem (Novo-RS). A deliberação sobre as possíveis punições foi protelada após um pedido de vista feito pelo líder da oposição, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
Os parlamentares são investigados pelo colegiado devido ao episódio da invasão da mesa diretora da Câmara, ocorrido em agosto do ano passado. Na ocasião, os deputados impediram o presidente da Casa, Hugo Motta, de ocupar sua cadeira no plenário, em um ato que protestava contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e clamava pela votação da anistia a atos golpistas de 8 de janeiro.
O relator do processo, deputado Moses Rodrigues (União Brasil-CE), já havia apresentado seu voto, manifestando-se pela suspensão do mandato dos três parlamentares por dois meses. Em seu parecer, Rodrigues defendeu a necessidade de uma “reprimenda severa” para deixar claro que o Parlamento não tolera infrações dessa natureza. “Não se pode admitir que um grupo de parlamentares, qualquer que seja sua ideologia política, tente impor a pauta de seu interesse mediante chantagem pela ocupação física dos espaços de deliberação”, argumentou o relator.
Marcos Pollon responde ainda a outro processo relacionado ao mesmo episódio. Nesta representação adicional, apresentada pela Mesa Diretora, o deputado é acusado de proferir ofensas de caráter pessoal contra Hugo Motta durante a ocupação do Plenário. O relatório dessa segunda denúncia, a cargo do deputado Ricardo Maia (MDB-BA), recomenda uma suspensão de 90 dias para o parlamentar.
Com o pedido de vista acatado, o colegiado deverá deliberar sobre as punições na próxima semana.
Por Marcos Puntel