A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) manifestou, nesta terça-feira (31/03/2026), profunda preocupação com a polarização e o que descreveu como um “discurso odioso” que tem “contaminado” o debate em torno de sua possível eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Para a parlamentar, a controvérsia tem servido como uma “distração” dos problemas reais e urgentes enfrentados pelas mulheres brasileiras.

A candidatura de Hilton, a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional por São Paulo, gerou reações diversas e, em alguns setores, intensos questionamentos sobre sua aptidão para liderar uma comissão historicamente associada à representação de mulheres cisgênero. Essa particularidade tem sido o epicentro da discussão, frequentemente extrapolando o mérito das propostas e da capacidade legislativa da deputada.

Em declaração à imprensa, Hilton frisou que a discussão ideológica e os ataques pessoais desvirtuam o foco do trabalho legislativo essencial. “Enquanto nos perdemos em debates recheados de ódio e preconceito sobre a minha identidade, milhões de mulheres no Brasil continuam a sofrer com a violência doméstica, a desigualdade salarial, a falta de acesso à saúde e à educação, e a sub-representação política”, afirmou a deputada. “Essa retórica odiosa é uma cortina de fumaça para impedir que avancemos nas pautas que realmente importam para todas as mulheres.”

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é um colegiado fundamental no parlamento brasileiro, responsável por analisar propostas legislativas, fiscalizar políticas públicas e promover debates que visam a garantia e a ampliação dos direitos femininos em diversas esferas, desde o combate à violência de gênero até a promoção da equidade no mercado de trabalho. Sua presidência é, portanto, considerada estratégica para a agenda progressista e para a efetivação dos direitos das mulheres no país.

Observadores políticos e ativistas de direitos humanos têm alertado para o aumento da retórica transfóbica e misógina no cenário político nacional, que busca deslegitimar a atuação de parlamentares de minorias e desviar a atenção de questões sociais urgentes. A polêmica em torno da deputada Erika Hilton, nesse contexto, reflete uma tensão maior sobre a inclusão e a representatividade em espaços de poder, especialmente quando se trata de identidades historicamente marginalizadas. A disputa pela presidência da comissão segue em aberto, com expectativa de novos desdobramentos nas próximas semanas, enquanto o debate sobre quem deve liderar a pauta feminina no Congresso continua acalorado, muitas vezes distante dos desafios cotidianos que impactam a vida de milhões de brasileiras.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://redir.folha.com.br

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