O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, projeta um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país entre 0,8% e 1% no primeiro trimestre deste ano, atribuindo o aquecimento econômico a mudanças no crédito e à manutenção da demanda efetiva. As declarações foram feitas em entrevista na noite de sexta-feira, quando o ministro também confirmou sua saída do cargo na próxima semana para se dedicar a uma candidatura nas próximas eleições.
Para Haddad, “a economia brasileira é capaz de crescer entre 0,8% e 1% nesse primeiro trimestre. Então, os mecanismos de mudanças no crédito, tudo que nós estamos fazendo para manter a demanda efetiva está redundando em manutenção “, afirmou durante o programa 20 Minutos, do Opera Mundi.
O ministro preferiu não arriscar uma estimativa para o crescimento anual, justificando que tal previsão depende da taxa de juros. Contudo, demonstrou confiança na saúde fiscal do país. “Eu acho que nós fizemos um trabalho de saneamento das contas. Eu não estou preocupado com as metas fiscais. Eu acho que o crescimento, pela maneira como nós estamos conduzindo, sobretudo as reformas que foram feitas, vão permanecer. Eu acho que a reforma tributária, que entra em vigor ano que vem, vai dar um impulso para o PIB ainda maior”, declarou.
Na mesma entrevista, Haddad defendeu a necessidade do arcabouço fiscal e refutou a ideia de que o governo tenha apertado demais as contas. “Não , porque isso tinha que vir acompanhado dessa batalha no Congresso Nacional – e que foi parcialmente bem-sucedida – de recomposição da base tributária. Nós perdemos 3% do PIB de base tributária. Para você abrir mão de carga tributária, o Congresso aprova em 15 dias, mas não para recompor e cortar privilégios no Brasil. Vai lá no Congresso negociar redução de privilégio, desoneração da folha. Cada projeto desse são semanas de negociação”, detalhou, ao abordar a dificuldade de negociação de medidas fiscais no parlamento.
Sobre o cenário externo, Haddad reiterou que o conflito no Oriente Médio não deve impactar a redução dos juros no Brasil, apesar de a Petrobras ter atribuído o aumento do diesel à guerra na região.
A grande notícia, porém, foi a confirmação da saída do ministro da Fazenda. Haddad anunciou que deixará a pasta na próxima semana com a intenção de concorrer nas próximas eleições, embora não tenha especificado o cargo. A decisão marca uma mudança em seus planos originais, que previam contribuir para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Queria estar mais livre para poder pensar, fora do Ministério, em um plano de desenvolvimento . Era isso o que eu queria fazer”, explicou. Ele indicou que o cenário político-econômico se tornou mais desafiador do que o esperado no final do ano passado, o que o levou a repensar sua permanência. “Nesses três meses de conversa com ele , o cenário se complicou. O céu está menos azul do que eu imaginava no final do ano passado. Então, devo sair do Ministério da Fazenda na semana que vem”, concluiu o ministro.
Por Marcos Puntel