O Ministério Público de Mato Grosso, por meio do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), deflagrou hoje a Operação Safra Desviada, uma ação de grande envergadura que cumpre 180 medidas cautelares autorizadas pela Justiça. A investigação apura um esquema de desvio de grãos que causou prejuízos estimados em R$ 140 milhões ao Grupo Lermen e a outras empresas do setor agropecuário.

As diligências estão sendo realizadas simultaneamente em nove municípios mato-grossenses — Cuiabá, Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Colíder, Nova Ubiratã, Boa Esperança do Norte e Campo Verde —, além de contar com a execução de ordens judiciais nos estados do Paraná, São Paulo, Pernambuco e Maranhão, evidenciando a capilaridade da organização criminosa.

A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias de 56 alvos, com valores que ultrapassam os R$ 140 milhões, em uma tentativa de ressarcir os danos causados. Além disso, foram sequestrados mais de 70 veículos, incluindo caminhões, carretas e automóveis, considerados patrimônio oriundo das atividades ilícitas. A operação também cumpre 80 mandados de busca e apreensão em residências, fazendas, empresas e outros imóveis ligados aos investigados.

Entre os crimes apurados estão formação de organização criminosa, furto qualificado, estelionato contra idoso, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O Gaeco identificou que o esquema envolvia o desvio sistemático de grandes volumes de soja, milho e algodão, manipulação de registros internos das empresas, movimentações financeiras incompatíveis com os perfis dos envolvidos e o uso de empresas de fachada para dissimular valores e movimentações ilícitas.

As medidas judiciais incluem ainda a indisponibilidade de imóveis pertencentes a 20 pessoas físicas e jurídicas, o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de mais de 45 investigados, e a extração de dados de celulares, computadores, mídias externas e informações armazenadas em nuvem. Diante de indícios de uso de plataformas de apostas para movimentação e ocultação de recursos, a Justiça autorizou também o bloqueio de contas dos investigados nesses serviços.

O objetivo dessas ações é preservar provas cruciais para a continuidade da investigação, impedir que as práticas ilícitas persistam, evitar a dissipação dos bens adquiridos com o crime e garantir a reparação dos vultosos danos causados às vítimas. As decisões judiciais apontam para um esquema estruturado, dividido em núcleos, com sofisticada manipulação contábil e transações financeiras atípicas.

A força-tarefa da Operação Safra Desviada mobiliza mais de 180 policiais militares de Mato Grosso, 50 integrantes do Gaeco e 12 policiais civis de Sorriso, contando ainda com o apoio fundamental de forças de segurança estaduais e dos Gaecos dos estados do Paraná, Maranhão, Pernambuco e São Paulo.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.sonoticias.com.br

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