Com o Carnaval se aproximando, diversos estados brasileiros intensificam o alerta contra a comercialização de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A preocupação surge após um período recente marcado por dezenas de casos de intoxicação e mortes em várias regiões do país, gerando mobilização das autoridades de saúde e vigilância sanitária para proteger os foliões.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 76 casos de intoxicação por metanol associada ao consumo de bebidas alcoólicas em 2023. Outras 29 ocorrências ainda estão sob investigação. No mesmo período, foram registrados 25 óbitos confirmados e oito em investigação. Este ano, até 3 de fevereiro, sete novos casos já foram confirmados, e 13 estão sendo investigados, reforçando a urgência das medidas preventivas.

São Paulo foi um dos estados mais afetados por essa onda de intoxicações. A Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) reportou 52 casos confirmados e 12 mortes em 2023, atingindo cidades como São Paulo, São Bernardo do Campo, Osasco, Jundiaí, Sorocaba e Mauá, com vítimas de diversas faixas etárias. A SES-SP alerta a população sobre os riscos e enfatiza a importância de adquirir bebidas apenas em estabelecimentos regularizados, verificando sempre a procedência. O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) paulista está coordenando fiscalizações em conjunto com as vigilâncias municipais, inspecionando bares, restaurantes e vendedores ambulantes.

Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou oito casos de intoxicação por metanol, com cinco óbitos entre outubro e novembro do ano passado. O estado reforça o aviso sobre bebidas destiladas de procedência duvidosa, e a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) espera ultrapassar o número de quinhentas inspeções durante o Carnaval, fiscalizando bares, camarotes e o comércio ambulante. A Bahia também registrou nove casos confirmados, com três óbitos em Ribeira do Pombal, Cansanção e Juazeiro. Em resposta, a Secretaria da Saúde (Sesab) e o Ministério da Saúde reforçaram o estoque de antídoto e incentivam a fiscalização municipal. O Paraná encerrou sua Sala de Situação sobre o tema em novembro de 2023, após seis casos e três mortes. Já o Mato Grosso, que teve seis ocorrências confirmadas e quatro óbitos entre novembro e dezembro de 2023, intensificou suas ações de vigilância e fiscalização, apesar de não registrar novos casos há mais de 30 dias.

Em contraste, o Rio de Janeiro não registrou casos ou mortes por metanol em bebidas. Contudo, a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e o Procon-RJ estão nas ruas com um Laboratório Itinerante do Consumidor, que circula pelos blocos e no Sambódromo, testando bebidas em tempo real. No último fim de semana, a ação resultou na apreensão de cerca de 26 litros de bebidas falsificadas, evidenciando a persistência do risco. “A venda de bebidas falsificadas é uma prática criminosa que coloca vidas em risco. Nossa atuação é firme para retirar esses produtos de circulação e alertar a população sobre os perigos desse consumo”, afirmou o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca.

O perigo do metanol reside em sua toxicidade. Diferente do etanol comum, este tipo de álcool, ao ser metabolizado pelo organismo, gera substâncias altamente tóxicas que afetam o sistema nervoso e a produção de energia celular, podendo levar a uma acidose metabólica grave, como explica o patologista clínico Hélio Magarinos Torres Filho, diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico. As consequências podem ser devastadoras, incluindo alterações visuais (visão turva ou embaçada), lesão do nervo óptico, confusão e desorientação mental, convulsões, coma, arritmias e insuficiência respiratória, culminando em cegueira irreversível, falência renal ou morte.

Os sintomas iniciais, muitas vezes confundidos com uma ressaca forte, podem surgir de forma progressiva, geralmente entre seis e 24 horas após a ingestão, e em alguns casos, até 48 horas depois. É crucial estar atento a sinais como dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa. Em estágios mais avançados, entre 6 e 24 horas, podem ocorrer visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma e acidose metabólica grave. As alterações visuais são um dos diferenciais mais característicos da intoxicação por metanol e não devem ser ignoradas, mesmo quando discretas.

Diante de qualquer suspeita ou sintoma incomum após o consumo de álcool, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde, informando sobre a possível ingestão de bebida de origem duvidosa e, se possível, levando a embalagem ou uma amostra. As autoridades recomendam que bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos, e que a população adquira bebidas apenas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, desconfiando de preços muito abaixo do mercado e evitando misturas prontas vendidas em garrafas PET ou recipientes inadequados. A prevenção é a melhor forma de garantir um Carnaval seguro e sem riscos à saúde.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *