A Polícia Civil deflagrou na manhã de hoje a Operação Imperium, uma ação coordenada para desarticular e asfixiar financeiramente uma facção criminosa especializada em lavagem de dinheiro através do uso sistemático de documentação falsa. Foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva, 14 de busca e apreensão, além de quatro sequestros de bens imóveis, avaliados em mais de R$ 4 milhões. A operação também resultou no sequestro de 10 veículos de luxo e no bloqueio de contas bancárias de 21 investigados, totalizando um valor de até R$ 43 milhões.

Os mandados foram executados em Rondonópolis, onde se concentravam o núcleo empresarial e os operadores patrimoniais do grupo criminoso, e se estenderam pelos estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Paraná, o alvo foi a principal operadora financeira da organização. Em Minas Gerais, a polícia visou o responsável por operacionalizar a compra de imóveis, enquanto no Rio de Janeiro foram localizados outros operadores patrimoniais da facção.

As investigações, conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DRE) de Cuiabá, focaram na desarticulação do patrimônio ilícito construído, adquirido e movimentado por um núcleo do grupo criminoso. Esse esquema era liderado por G.R.S., conhecido como “Vovozona”, e operou por um período de dois anos, movimentando valores oriundos de práticas criminosas.

Considerado um criminoso de alta periculosidade e apontado como liderança da facção na região sul de Mato Grosso, “Vovozona” estava foragido do Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, desde 14 de julho de 2023. Naquela ocasião, ele e outro reeducando tiveram a saída autorizada da penitenciária, supostamente para realizar serviço extramuros, mas não retornaram à unidade prisional. Durante a fuga, os presos chegaram a parar em uma churrascaria na Avenida Miguel Sutil, onde encontraram duas mulheres, uma das quais pagou a conta integralmente. Após o almoço, o líder criminoso deixou o estabelecimento com as mulheres em uma caminhonete Mitsubishi.

Após a fuga, a investigação constatou que o foragido, sua esposa e pessoas sob sua influência direta faziam uso de diversos documentos falsos para a abertura de contas bancárias e empresas de fachada. O objetivo era movimentar dinheiro oriundo do crime e adquirir bens móveis e imóveis, tanto para uso pessoal quanto para demonstrar riqueza. As apurações indicaram que empresas situadas em Rondonópolis, área de maior influência do faccionado, eram registradas com seu nome falso ou em nome de pessoas diretamente ligadas a ele. Nesse esquema de lavagem, as empresas recebiam dinheiro de integrantes da facção e o reintroduziam em circulação para a compra de veículos, imóveis e repasses de lucros aos membros do grupo criminoso. Os investigadores identificaram integrantes do esquema em diversos estados federativos, locais onde o líder da facção também atuava.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.sonoticias.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *