O ovo solidificou sua posição como um dos alimentos mais importantes na mesa do brasileiro, com o consumo atingindo um recorde histórico em 2025. Impulsionado pela busca por uma proteína acessível, nutritiva e versátil, cada habitante do país consumiu, em média, 287 ovos ao longo do ano, superando as 269 unidades de 2024 e marcando o maior índice já registrado. Esse crescimento elevou o Brasil ao grupo dos dez maiores consumidores de ovos do mundo.

A produção nacional alcançou a marca de 62 bilhões de unidades, movimentando cerca de R$ 30 bilhões e consolidando o quarto ano consecutivo de expansão da cadeia produtiva. Contudo, a intensa procura também se refletiu nos custos. Após uma queda no ano anterior, o valor do ovo voltou a subir em 2025, com o índice oficial de inflação registrando uma alta acumulada de quase 4%.

Os fatores por trás do encarecimento são múltiplos, com destaque para a elevação nos custos de produção. A ração, composta principalmente por milho e soja, teve seus preços majorados, impactando diretamente o bolso dos avicultores. Adicionalmente, as ondas de calor afetaram a produtividade das granjas, pois em temperaturas elevadas, as aves consomem menos alimento e produzem menos ovos. A proximidade da Quaresma, período de tradicional aumento no consumo, também contribuiu para a valorização do produto.

Diante da demanda aquecida, produtores em todo o país investem na expansão de seus negócios. Em Senador Canedo, na região metropolitana de Goiânia, o avicultor Gabriel, que cria galinhas fora do sistema de gaiolas e produz cerca de 340 ovos por dia, já planeja a construção de um novo aviário e a aquisição de mais 500 aves para ampliar sua produção.

Especialistas apontam que o recorde de consumo não se deve apenas ao encarecimento de outras proteínas, como carne bovina e frango. Há uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a enxergar o ovo como um alimento completo, nutritivo e economicamente viável. O crescimento do público fitness e a divulgação de estudos que desmistificaram seu consumo também foram cruciais para essa tendência. Nos supermercados, mesmo com preços mais altos, a procura segue intensa, com promoções esgotando rapidamente os estoques e, em alguns casos, gerando filas de espera para reposição. Cartelas que custavam R$ 9,98 chegaram a ser vendidas por até R$ 12,90, sem desestimular o interesse dos consumidores.

Versátil e presente em incontáveis receitas, do café da manhã ao jantar, o ovo reforça seu papel de destaque na alimentação do brasileiro e na economia do país.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.nortaomt.com.br

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