A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Miranda, participou de uma entrevista no programa DR com Demori, onde abordou temas cruciais como a escala 6×1, o trabalho análogo à escravidão e os impactos da reforma trabalhista no cenário brasileiro. A entrevista foi ao ar nesta terça-feira, às 23h.
Com uma trajetória profissional marcada por desafios, Delaíde Miranda, que antes de se tornar advogada trabalhou como empregada doméstica, é uma voz ativa na defesa da Justiça do Trabalho. Durante a conversa, a ministra fez um paralelo entre o período escravocrata e a realidade brasileira, destacando a persistência de práticas análogas à escravidão em pleno século XXI.
“Eu acompanho muito as deflagrações do Ministério Público do Trabalho nas questões de resgate de trabalho escravo. E entendo que, no fundo, é uma questão de lucro. Por quê? Onde se detecta mais? Nas empresas terceirizadas por grandes multinacionais”, afirmou a ministra, evidenciando a preocupação com a exploração de trabalhadores em busca de maiores lucros.
Delaíde Miranda também ressaltou que o debate sobre o fim da escala 6×1 não se restringe ao Brasil, sendo uma discussão global. Segundo ela, “a redução da jornada traria o benefício de criar mais empregos, além de permitir que o trabalhador possa se qualificar melhor, dedicar mais tempo à família e ao lazer. A gente não pode pensar em um trabalhador que viva apenas para o trabalho”.
A ministra ainda refletiu sobre as mudanças nos regimes de trabalho, como a crescente “fuga” da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Existe grande desinformação. Para mim, isso tudo faz parte de um grande movimento liderado pelas grandes empresas no sentido de dizer: ‘isso aí está fora de moda, não precisa de Justiça do Trabalho nem de vínculo’”, alertou.
O programa DR com Demori é conhecido por trazer personalidades para debates aprofundados sobre temas relevantes para a sociedade.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br