VIENA — O governo austríaco anunciou nesta sexta-feira (27 de março de 2026) a proibição do acesso às redes sociais para menores de 14 anos, uma medida significativa que se concretiza após longas e complexas negociações dentro da coalizão de governo. A decisão, tornada pública pelo Executivo, reflete uma crescente preocupação com a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e os potenciais impactos negativos da exposição precoce.
A nova legislação, que visa salvaguardar o bem-estar mental e físico dos jovens, é o resultado de intensos debates entre os partidos da coalizão, que convergiram para a necessidade de estabelecer limites claros para o uso de plataformas digitais por faixas etárias mais vulneráveis. Especialistas em saúde mental infantil e educadores têm alertado reiteradamente sobre os riscos de cyberbullying, o acesso a conteúdos inadequados e o desenvolvimento de distúrbios relacionados ao uso excessivo das redes sociais entre os mais novos.
Detalhes sobre a implementação e fiscalização da proibição ainda serão integralmente divulgados, mas espera-se que a medida imponha uma maior responsabilidade aos pais e responsáveis, além de exigir que as próprias plataformas digitais reforcem seus mecanismos de verificação de idade no país. A ministra da Família, Sophie Neumann, em coletiva de imprensa em Viena, enfatizou a importância da ação: “Não podemos mais ignorar os desafios que o mundo digital apresenta para nossas crianças. Esta é uma medida fundamental para assegurar que elas possam crescer em um ambiente mais seguro e protegidas das pressões e conteúdos nem sempre apropriados para sua idade.”
A Áustria, com esta iniciativa, alinha-se a um movimento global de países que buscam reavaliar e regulamentar o acesso de menores à internet e às redes sociais. A expectativa é que a legislação entre em vigor nos próximos meses, concedendo um período de adaptação para famílias, instituições de ensino e empresas de tecnologia. Embora a medida possa gerar debates sobre a liberdade digital e a eficácia de proibições diretas, o governo austríaco reitera que o principal objetivo é a saúde e a segurança das futuras gerações.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br