A Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou três réus no emblemático caso da importação de 18 girafas da África do Sul, destinadas ao BioParque do Rio e ao Portobello Resort & Safári, em Mangaratiba, na costa verde fluminense. A decisão, divulgada nesta quinta-feira, 3 de abril de 2026, representa um desfecho judicial para a polêmica que envolveu a morte de grande parte dos animais logo após sua chegada ao Brasil, em janeiro de 2022.
Os condenados foram considerados culpados por crimes ambientais, incluindo maus-tratos e negligência que resultaram na morte de 14 dos 18 mamíferos. As penas impostas pela Justiça, que ainda cabem recurso, incluem sanções pecuniárias significativas e restrições diversas, visando responsabilizar os envolvidos pela tragédia que comoveu o país e levantou discussões sobre o transporte e manejo de fauna silvestre.
O caso ganhou repercussão nacional e internacional desde a chegada das girafas ao Brasil. Os animais, após uma longa e estressante viagem, foram mantidos em condições que, segundo a acusação do Ministério Público Federal (MPF), eram inadequadas, levando a um surto de estresse e doenças. As investigações detalharam falhas no planejamento do transporte e do manejo pós-chegada, além de irregularidades nos processos de licenciamento ambiental e importação. O inquérito apontou para a responsabilidade dos réus na cadeia de eventos que levou ao lamentável desfecho, culminando na apresentação de denúncia por condutas que atentaram contra a vida e o bem-estar dos animais.
A sentença é vista como um marco na proteção da fauna silvestre importada, reforçando a necessidade de rigor e transparência em operações que envolvem o translado de animais de grande porte e o cumprimento de todas as normas de bem-estar animal. A decisão final ainda dependerá de possíveis recursos apresentados pelas defesas dos condenados nas instâncias superiores.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br