A decisão do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) de não intervir em prol de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em um contexto que permitia tal ação, está sendo interpretada nos bastidores políticos como uma escolha deliberada e com motivações que extrapolam a mera ausência de argumentos.

Embora possa haver um discurso oficial que justifique a postura do parlamentar, fontes próximas ao centro do poder em Brasília afirmam, sob condição de anonimato, que não faltariam prerrogativas ou argumentos para uma eventual intervenção, caso Alcolumbre realmente desejasse. A percepção é que o ex-presidente do Senado teria tido plenas condições de tomar uma decisão diferente, especialmente se sua relação com o governo atual estivesse em outro patamar de alinhamento.

“É um discurso bonito, mas todo mundo sabe que Alcolumbre poderia ter tomado a decisão contrária se estivesse de bem com o governo. Não faltariam argumentos se Alcolumbre quisesse, mesmo, salvar Lulinha. Não salvou porque não quis”, disse um interlocutor com trânsito livre no Congresso Nacional, ressaltando o caráter político da movimentação.

A leitura política é de que a inação não foi resultado de uma impossibilidade, mas sim de uma opção estratégica, sinalizando um afastamento ou uma demonstração de força em meio às articulações de poder. Essa movimentação insere-se em um cenário de crescentes tensões e reajustes na base de apoio e nas negociações entre o Legislativo e o Executivo, onde cada gesto tem um peso e uma mensagem implícita.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *