Belém se torna o epicentro das discussões globais sobre as mudanças climáticas, sediando a 30ª Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima a partir desta segunda-feira. O evento, que se estende até 21 de novembro, marca a primeira vez que a conferência é realizada na Amazônia, bioma crucial para a biodiversidade e regulação climática global. A COP30 busca resgatar o tema das mudanças climáticas como prioridade internacional.

Delegações de 194 países, juntamente com a União Europeia, confirmaram presença. A capital paraense se prepara para receber mais de 50 mil visitantes, incluindo negociadores, observadores, cientistas, representantes governamentais, organizações da sociedade civil e movimentos sociais.

Um dos principais pontos de discussão é a necessidade de financiamento para a adaptação e transição energética, buscando afastar de forma planejada a dependência de combustíveis fósseis. A urgência de um roteiro para essa transição, definindo prazos, esforços e financiamentos, foi destacada por autoridades.

Dados da plataforma Climate Watch apontam que o uso de combustíveis fósseis é responsável por 75% das emissões de gases de efeito estufa, seguido pela agricultura (11,7%) e outras atividades.

Apesar da urgência, a agenda climática enfrenta desafios, como conflitos armados, o retorno de posturas negacionistas e o aumento das emissões de gases de efeito estufa. Até o momento, menos de 80 países atualizaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), metas de mitigação implementadas desde o Acordo de Paris.

O presidente-designado da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, convocou os países a fazer de Belém o ponto de partida de um novo ciclo de ação no enfrentamento da crise climática, focando na união e cooperação.

Negociadores indicam que adaptação climática, transição justa e a implementação do Balanço Global do Acordo de Paris (GST) serão os temas centrais da conferência. A adaptação se refere à preparação para eventos climáticos extremos. A transição justa busca diretrizes para políticas que atendam aos impactados pela transição para economias de baixo carbono.

Além das questões práticas, o financiamento emerge como gargalo crucial para consolidar uma economia de baixo carbono. Um plano estratégico com o objetivo de viabilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático foi apresentado.

A participação da sociedade civil é um destaque esperado na COP30, com atividades em toda a cidade, incluindo a Zona Verde, um espaço público gratuito para diálogo e apresentação de projetos sobre soluções para a crise climática. A Cúpula dos Povos, organizada por movimentos sociais, reunirá representantes de diversos países para discutir uma transição justa do clima.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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