A Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) instituiu um grupo de trabalho com a missão de desenvolver critérios e categorias para a classificação de espécies exóticas invasoras no Brasil. A iniciativa, embora fundamental para a proteção da biodiversidade, já acende um alerta no setor da aquicultura, especialmente entre os produtores de tilápia, que temem um potencial impacto negativo em suas operações e na economia regional.

O grupo de trabalho, composto por especialistas de diversas áreas – incluindo biólogos, ecólogos, agrônomos e representantes do setor produtivo –, terá como meta principal a elaboração de uma metodologia robusta para identificar e categorizar espécies que representam risco à fauna e flora nativas. A expectativa é que a definição desses parâmetros ofereça maior clareza e subsidie políticas públicas de controle e manejo.

A preocupação dos tilapicultores não é infundada. A tilápia (Oreochromis niloticus), embora exótica, tornou-se uma das principais espécies cultivadas no país, responsável por uma fatia significativa da produção aquícola nacional. Segundo dados do setor, a cadeia produtiva da tilápia movimenta bilhões de reais anualmente e gera milhares de empregos diretos e indiretos, sendo vital para o sustento de muitas comunidades rurais.

O temor reside na possibilidade de a tilápia ser reclassificada ou ter seu manejo drasticamente restringido, o que poderia levar à interrupção de licenças, dificuldades de comercialização e, em última instância, prejuízos irreparáveis aos produtores. “Estamos vigilantes e participando ativamente das discussões. Nosso objetivo é garantir que qualquer nova regulamentação considere a importância social e econômica da tilápia para o Brasil, sem comprometer os esforços de conservação”, afirmou João Silva, presidente de uma associação de aquicultores que acompanha o tema.

Por outro lado, ambientalistas e membros da própria comissão ressaltam a urgência de estabelecer critérios claros para espécies invasoras. A introdução descontrolada de organismos não nativos é apontada como uma das maiores causas de perda de biodiversidade global, competindo com espécies nativas, alterando ecossistemas e, em alguns casos, transmitindo doenças. A Conabio assegura que o processo será pautado pelo diálogo e pela ciência, buscando um equilíbrio entre a necessidade de proteção ambiental e a sustentabilidade das atividades produtivas, com audiências e consultas públicas previstas para coletar subsídios antes da apresentação de uma proposta final.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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