A Justiça de Mato Grosso autorizou o pedido de recuperação judicial da família Filemon Malaquias, proprietária da Agropecuária Paraíso dos Parecis, localizada em Nortelândia, a cerca de 230 quilômetros de Cuiabá. O grupo rural busca renegociar uma dívida que soma aproximadamente R$ 20,3 milhões, acumulada após enfrentar dificuldades financeiras nos últimos anos. A decisão foi proferida pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá, assinada na última quinta-feira (21) e publicada oficialmente nesta terça-feira (27).

A família Filemon Malaquias possui uma área de 523 hectares e atua há anos na produção de milho, soja e atividades pecuárias na região médio-norte de Mato Grosso. Conforme o processo, os produtores relataram ter realizado investimentos contínuos para a expansão da atividade agrícola, incluindo aquisição de maquinários, ampliação de áreas cultivadas e implantação de tecnologias para aumento da produtividade.

No entanto, o grupo afirmou ter sido acometido por uma grave crise financeira, atribuída a fatores externos que impactaram diretamente o agronegócio. Entre os problemas citados na ação estão a queda no preço das commodities agrícolas, oscilações de mercado, os impactos causados pela pandemia da Covid-19 e eventos climáticos adversos.

A decisão judicial reconheceu a existência de um grupo econômico de fato entre os integrantes da família, autorizando a consolidação conjunta dos ativos e passivos envolvidos na recuperação judicial. O magistrado também determinou medidas para proteger bens considerados essenciais à continuidade da atividade rural, como máquinas agrícolas e sistemas de irrigação, impedindo apreensões por parte de credores durante o processo.

Além disso, foi nomeado um administrador judicial responsável pelo acompanhamento do caso e estabelecido o período de suspensão das cobranças e execuções contra os produtores. Na fundamentação da decisão, o juiz Márcio Aparecido Guedes destacou que a recuperação judicial busca preservar a função social da atividade rural, garantindo a continuidade da produção, a manutenção dos empregos e a possibilidade de reorganização financeira do grupo familiar.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.nortaomt.com.br

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