Um partido de oposição acusou a gestão da Petrobras de fazer uso eleitoral de um vídeo institucional, divulgado recentemente, que trata do aumento no preço dos combustíveis. A legenda alega que a peça comunicativa extrapola o caráter meramente informativo e apresenta elementos que configuram propaganda política, em vez de uma explanação técnica.

O material em questão, veiculado nas redes sociais e em canais oficiais da empresa, aborda os fatores que influenciam a precificação da gasolina, diesel e gás de cozinha no mercado interno. Segundo o partido, a linguagem utilizada, a ênfase em determinadas justificativas e a forma como a estatal se posiciona no cenário econômico teriam um viés claramente governista, buscando isentar a atual administração de responsabilidades e transferir o ônus para fatores externos ou gestões anteriores.

A controvérsia surge em um momento de alta sensibilidade para a economia e para o cenário político nacional. Os constantes reajustes nos preços dos combustíveis têm sido um dos principais motores da inflação e um tema central nos debates públicos, gerando grande insatisfação popular. Com a proximidade do período eleitoral, qualquer comunicação de empresas estatais, especialmente as de grande impacto como a Petrobras, é analisada com lupa por partidos e órgãos fiscalizadores, em busca de eventuais desvios de finalidade.

Em nota oficial divulgada anteriormente sobre sua política de preços, a Petrobras tem reiterado que segue as diretrizes de mercado internacional e busca transparência ao informar a população sobre os componentes que formam o preço final ao consumidor. Representantes do governo, por sua vez, têm defendido a iniciativa como um esforço legítimo de comunicação pública para esclarecer um tema complexo e de interesse geral.

O partido informou que pretende encaminhar uma representação formal à Justiça Eleitoral, solicitando a análise do vídeo e a aplicação das medidas cabíveis, caso seja configurada propaganda eleitoral antecipada ou uso indevido da máquina pública. A questão deve aquecer ainda mais o debate sobre a autonomia e a gestão das estatais em ano de pleito.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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