O preço do milho em Sorriso, no médio-norte de Mato Grosso, registrou um salto significativo de 12% em agosto, alcançando a média de R$ 47 por saca. A valorização, que surpreendeu o mercado, ocorreu em um período de forte avanço da colheita de uma safra brasileira de volume expressivo, contrariando a expectativa comum de pressão baixista devido à oferta robusta.

Os dados são do Agro Mensal, relatório elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que monitora de perto as tendências do agronegócio nacional. A escalada dos preços, apesar da entrada de grandes volumes de grãos no mercado, é atribuída a uma combinação de fatores macroeconômicos e de demanda internacional.

Para Ana Paula Fernandes, analista de mercado do Itaú BBA, a sustentação dos preços do milho é reflexo de uma demanda externa vigorosa, particularmente da China, e da valorização do dólar ante o real. “Apesar da safra recorde, o Brasil tem se consolidado como um exportador fundamental no cenário global. O câmbio favorável tem impulsionado as exportações, permitindo que boa parte da produção seja escoada para o mercado internacional, o que evita uma sobreoferta interna e sustenta as cotações”, explica Fernandes.

A cidade de Sorriso, um dos maiores produtores de grãos do país, tem sentido diretamente essa dinâmica. Produtores locais, que investiram pesado na safra, veem na valorização uma melhora na rentabilidade por saca, mesmo com os desafios logísticos típicos do período de pico de colheita. Essa conjuntura é vista como um alívio financeiro, contribuindo para a sustentabilidade da atividade agrícola na região.

Contudo, a persistência de preços elevados no mercado doméstico pode trazer desafios para outros elos da cadeia produtiva, como os setores de proteína animal. A pecuária e a avicultura, que dependem do milho como principal insumo para a ração, podem enfrentar pressões nos custos de produção, impactando a margem de lucro dessas atividades e, eventualmente, refletindo-se nos preços ao consumidor.

Analistas indicam que o cenário deve permanecer com fundamentos sólidos para o milho no curto e médio prazo, desde que a demanda externa se mantenha aquecida e o câmbio permaneça em patamares favoráveis às exportações. A atenção agora se volta para o plantio da próxima safra e as condições climáticas nas regiões produtoras, fatores que poderão balizar as cotações futuras.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.nortaomt.com.br

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