O próximo presidente da República enfrentará em 2027 seu maior desafio: a execução de um ajuste fiscal profundo e complexo. A economia brasileira se vê pressionada por uma combinação perigosa de dívida pública em trajetória ascendente e taxas de juros persistentemente elevadas, que drenam recursos e limitam o espaço de manobra do Estado.
A escalada da dívida, fruto de anos de déficits primários e gastos crescentes, alcançou patamares que acendem o alerta de analistas e agências de rating. Esse endividamento não apenas consome uma fatia cada vez maior do orçamento público com seu serviço, mas também eleva a percepção de risco país, tornando mais cara a captação de recursos no mercado e afastando investimentos.
Paralelamente, os juros elevados, praticados como ferramenta para conter a inflação e garantir a credibilidade da política monetária, impõem um custo adicional significativo. Cada ponto percentual na Selic representa bilhões a mais no pagamento da dívida, realimentando o ciclo vicioso onde o alto endividamento contribui para manter os juros altos, e juros altos aceleram o endividamento. Este cenário asfixia o crescimento econômico, desencorajando o crédito, o consumo e a expansão empresarial.
O ajuste fiscal que se impõe não é uma opção, mas uma necessidade premente para restabelecer a saúde das contas públicas e garantir a sustentabilidade de longo prazo. Contudo, as medidas necessárias – seja corte de despesas, seja aumento de arrecadação – são impopulares e exigem coragem política e capacidade de articulação. A ausência de uma estratégia crível e eficaz para endereçar essas questões no curto e médio prazo pode levar a um aprofundamento da crise fiscal, com repercussões sociais e políticas imprevisíveis.
O governo que assumir em 2027 herdará não apenas a tarefa de gerir as demandas do país, mas de desatar esse nó econômico que ameaça comprometer a capacidade de investimento e de provisão de serviços públicos essenciais. A janela para a ação é estreita, e a urgência do problema exige decisões firmes e impopulares desde o primeiro dia de mandato.
Por Marcos Puntel