As recentes e intensas chuvas que caíram sobre Sapezal, a 480 quilômetros de Cuiabá, atingiram vastas áreas de cultivo de algodão que se encontravam em estágio avançado, a poucos dias da colheita. A situação gerou um alerta máximo entre os produtores rurais da região, que agora manifestam grande preocupação com as possíveis perdas significativas na safra atual devido ao excesso de umidade.
Imagens capturadas em uma das propriedades rurais afetadas revelam a extensão do problema. As lavouras aparecem visivelmente impactadas pela água, com a fibra do algodão exposta ao tempo e absorvendo a umidade. Em um vídeo que circula entre os agricultores, um produtor demonstra a fragilidade e a alteração na qualidade do produto, retirando o capulho encharcado e mostrando a fibra já comprometida, um sinal claro dos danos iminentes.
Para o algodão, o período de pré-colheita exige clima seco e ensolarado para garantir a qualidade da fibra. O excesso de água nessa fase crucial pode levar ao apodrecimento dos capulhos, manchar a fibra e comprometer sua resistência, fatores que resultam em uma drástica redução no valor de mercado. Além disso, a umidade excessiva dificulta ou até inviabiliza o uso das máquinas colheitadeiras, atrasando o processo e aumentando os custos operacionais, o que pode agravar ainda mais o cenário econômico dos agricultores.
Produtores locais, que investiram pesadamente na expectativa de uma safra promissora, agora monitoram as condições climáticas com apreensão. A incerteza paira sobre a extensão real dos prejuízos, que só poderão ser totalmente mensurados após a avaliação das áreas atingidas e a tentativa de colheita. A região de Sapezal é uma das maiores produtoras de algodão do Brasil, e qualquer impacto na produção local reverbera em toda a cadeia produtiva, do agronegócio à indústria têxtil. A comunidade agrícola local espera que novas avaliações possam indicar caminhos para minimizar os impactos, embora o controle sobre as intempéries climáticas seja limitado. A expectativa agora é pela estabilização do tempo e por um período de estiagem que permita, ao menos, salvar parte da produção que ainda não foi irreversivelmente danificada.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://www.nortaomt.com.br