O custo do frete rodoviário entre Nova Mutum, no Mato Grosso, e Imbituba, em Santa Catarina, registrou um aumento expressivo de 72,3% no segundo trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior. Essa rota se destacou como a de maior valorização em todo o território nacional, conforme revelado pelo relatório Frete Insights, elaborado pela plataforma Frete.com.
A rota, estratégica para o escoamento da vasta produção agrícola do Centro-Oeste brasileiro – especialmente grãos como soja e milho, cultivados em larga escala na região de Nova Mutum – em direção ao porto de Imbituba, um importante corredor de exportação no Sul, demonstra a pressão sobre a logística nacional. O incremento reflete uma combinação de fatores econômicos e sazonais.
Analistas do setor apontam para a conjunção de uma safra recorde no Mato Grosso, que elevou substancialmente a demanda por transporte, com a persistente volatilidade dos preços do diesel. O combustível, item de maior peso nos custos operacionais dos transportadores, tem sido um impulsionador primário desses reajustes. Além disso, a escassez de veículos e motoristas especializados para atender ao pico da demanda, aliada aos custos de manutenção e pedágios, contribui para a escalada dos valores.
O levantamento da Frete.com não detalha apenas a rota entre Nova Mutum e Imbituba; ele aponta para uma tendência geral de aumento nos custos logísticos, embora em menor proporção na maioria das outras regiões. O relatório Frete Insights indica que, em média, o frete rodoviário no Brasil teve um aumento de aproximadamente 18% no mesmo período, evidenciando que a rota Mato Grosso-Santa Catarina é um caso atípico e de impacto particular para o agronegócio exportador.
A escalada nos custos do frete tem impacto direto na cadeia produtiva, especialmente para os produtores rurais, que veem suas margens de lucro comprimidas. Para as empresas exportadoras, o encarecimento da logística pode significar perda de competitividade no mercado internacional, repassando, em última instância, esses custos para o consumidor final ou absorvendo-os na margem da operação. O cenário reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura e otimização da malha logística do país para mitigar futuras pressões sobre os custos e garantir a fluidez do comércio nacional e internacional.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://www.nortaomt.com.br