A escalada das tensões no Oriente Médio, com novos desdobramentos no conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, exerceu forte pressão sobre os mercados financeiros nesta segunda-feira (13). O temor de interrupções no abastecimento global de petróleo impulsionou uma alta de quase 10% no preço do barril, enquanto a bolsa brasileira registrou queda de 1,2% e o dólar avançou 0,46% frente ao real.

O aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais levou os investidores a buscarem ativos mais seguros, refletindo a preocupação com o possível impacto da alta do petróleo sobre a inflação global e, consequentemente, sobre a trajetória dos juros nas principais economias. O Ibovespa, principal índice da B3, que operava perto da estabilidade no início do pregão, inverteu a tendência ao longo do dia, fechando em 175.739 pontos. Apesar da valorização das ações da Petrobras (ordinárias com alta de 3,44% e preferenciais com avanço de 2,55%) e de outras petrolíferas, impulsionadas pela disparada do petróleo, a queda de papéis de setores como bancos, consumo e mineração foi predominante, puxando o índice para baixo.

O dólar comercial acompanhou o movimento de fortalecimento global da moeda frente a divisas de países emergentes, encerrando o dia cotado a R$ 5,131, com alta de R$ 0,023. A moeda chegou a atingir máxima de R$ 5,142 durante a sessão, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o endurecimento das medidas contra o Irã e a intenção de ampliar o controle sobre o Estreito de Ormuz, com a taxação de 20% sobre a carga que transitar pelo local. No mercado doméstico, o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central, manteve a projeção para o dólar em R$ 5,20 no fim deste ano e a expectativa de que a taxa Selic encerre 2026 em 14% ao ano.

O petróleo liderou os movimentos nos mercados internacionais, com o barril do tipo Brent, referência global, fechando em alta expressiva de 9,59%, a US$ 83,30. O barril WTI, do Texas, avançou 9,42%, para US$ 78,14. A valorização foi diretamente impulsionada pelas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Em resposta às medidas anunciadas por Trump, o governo do Irã prometeu reagir. Além disso, foram registrados novos ataques entre forças do Iêmen e da Arábia Saudita, e explosões na cidade iraniana de Bandar Abbas, intensificando o cenário de incerteza. Esse quadro reforçou os temores de restrições na oferta global de petróleo, elevando a expectativa de maior volatilidade nos mercados internacionais nas próximas semanas.

Com informações da Reuters

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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