O mercado financeiro brasileiro registrou um desempenho contraditório nesta segunda-feira, 6 de julho, com o dólar em queda acentuada pela terceira sessão consecutiva, atingindo o menor patamar em quase três semanas, enquanto a bolsa de valores recuava e se descolava dos mercados acionários estadunidenses. O movimento ocorreu em um dia de agenda econômica esvaziada, marcado por ajustes de posição dos investidores e atenção ao cenário internacional.
O dólar comercial encerrou o pregão negociado a R$ 5,132, marcando o fechamento mais baixo desde 17 de junho. A desvalorização da moeda americana foi impulsionada principalmente pelo ambiente externo e pela valorização de commodities exportadas pelo Brasil, como soja e minério de ferro, além do recente recorde nas exportações de carne, fatores que favorecem o ingresso de dólares na economia nacional. Globalmente, o dólar também perdeu força frente a uma cesta de moedas fortes, com o índice DXY terminando praticamente estável após oscilações. Nos primeiros pregões de julho, a moeda americana já acumula uma queda de 0,60%, e uma desvalorização de 6,50% frente ao real em 2026. Os investidores agora aguardam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira, 8 de julho, em busca de novas sinalizações sobre a trajetória dos juros na maior economia global.
Na bolsa brasileira, o cenário foi distinto. O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 0,93%, fechando aos 172.447,58 pontos e devolvendo parte dos ganhos acumulados na semana anterior. Esse recuo contrariou o desempenho positivo de Wall Street, onde os principais índices encerraram em alta, impulsionados especialmente por empresas ligadas à inteligência artificial e ao setor de tecnologia. O fluxo de recursos estrangeiros tem favorecido esses segmentos nos Estados Unidos, diminuindo o interesse por mercados emergentes como o Brasil. Internamente, a proximidade das eleições de 2026, as preocupações com a política fiscal após 2027 e o início da audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras contribuíram para aumentar a cautela dos investidores. Além da ata do Fed, as atenções se voltam para a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, na sexta-feira, 10 de julho, que poderá influenciar as expectativas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos.
No mercado internacional, os preços do petróleo fecharam em leve queda. A decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) de elevar a produção a partir de agosto, a normalização do tráfego de navios no Estreito de Ormuz, negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, e o aumento das exportações russas foram fatores que pressionaram as cotações. O barril do petróleo Brent, referência internacional, recuou 0,18%, para US$ 71,99, enquanto o barril do tipo WTI, do Texas, caiu 0,20%, encerrando cotado a US$ 68,55.
Por Marcos Puntel