Sorriso, MT – A safra de algodão em Sorriso, no norte de Mato Grosso, demonstra um desenvolvimento favorável, impulsionado pelas chuvas regulares que marcaram o ciclo da cultura. Contudo, a chegada das precipitações fora de época levanta um sinal de alerta entre os produtores rurais, preocupados com os potenciais impactos na qualidade da pluma durante a fase de colheita, que já teve início em algumas propriedades da região.

Diogo Damiani, presidente do Sindicato Rural de Sorriso, destacou a importância dos volumes pluviométricos para o vigor das lavouras. “A cultura do algodão recebeu bons volumes de chuva, o que ajudou bastante no desenvolvimento da lavoura”, afirmou, ressaltando o benefício especialmente durante a fase de frutificação e formação dos botões florais. Apesar do cenário inicial positivo, o excesso de chuva nas últimas semanas acende um alerta significativo. Damiani explicou que “essa chuva mais intensa pode impactar principalmente a qualidade da pluma do algodão e causar perdas ao produtor rural”, referindo-se ao principal produto comercializado pelos cotonicultores.

Paralelamente ao andamento da colheita, o setor acompanha o período de estiagem, uma característica climática desta época do ano em Mato Grosso. A região geralmente registra seis meses de chuvas, de setembro a abril, seguidos por um período seco que se estende até a primeira quinzena de setembro. Durante essa fase de menor precipitação, os produtores concentram esforços na preparação para a próxima safra, realizando atividades essenciais como correção de solo, aplicação de calcário, adubação e a manutenção de máquinas agrícolas. Um trabalho crucial nesse período é o monitoramento e a prevenção de queimadas nas áreas produtivas, visto que incêndios podem comprometer a matéria orgânica do solo e afetar a produtividade das lavouras por vários anos, conforme alertado pelo presidente do sindicato.

A atenção dos cotonicultores também se volta para as previsões climáticas dos próximos meses, em especial a influência do fenômeno El Niño. A expectativa é que o El Niño modifique o regime de chuvas no país, aumentando os volumes na região Sul e diminuindo a regularidade das precipitações em parte do Norte e Centro-Oeste. Damiani lembrou que “Nós tivemos uma situação semelhante na safra 2023/2024, que impactou significativamente a produção em Mato Grosso”, alertando para a possibilidade de veranicos mais longos durante o desenvolvimento das lavouras caso o fenômeno se intensifique. A soja, cultura amplamente presente na região, é apontada como uma das mais vulneráveis à falta de chuva, principalmente durante a fase de enchimento dos grãos. Apesar das incertezas climáticas, os produtores mantêm a esperança de que as chuvas ocorram de forma regular no início da próxima temporada, assegurando a umidade necessária para o plantio após o fim do vazio sanitário da soja.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.nortaomt.com.br

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