A Polícia Civil deflagrou, esta manhã, a Operação Fluxo Oculto, em uma ação abrangente que cumpre 13 mandados de prisão, 19 de busca e apreensão e 58 medidas judiciais diversas. O objetivo é desarticular uma facção criminosa com ramificações interestaduais, envolvida no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. As ordens judiciais estão sendo executadas em Sinop, Cláudia, Rondonópolis, Várzea Grande e Cuiabá, no Mato Grosso, além de Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

A Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop, responsável pela investigação, revelou que entre os alvos estão três lideranças do grupo, apontadas como coordenadoras das atividades ilícitas e da gestão financeira da facção. Ao todo, 31 pessoas físicas e duas pessoas jurídicas são investigadas por participação direta ou indireta nas ações criminosas.

Com foco na descapitalização da facção, a operação determinou o bloqueio de ativos financeiros dos investigados, totalizando a soma de R$ 9,3 milhões. As investigações identificaram que integrantes da organização criminosa utilizavam empresas formalmente constituídas para ocultar e conferir aparência lícita aos recursos provenientes do tráfico de drogas. Um supermercado localizado no município de Cláudia, por exemplo, seria usado para promover a troca de dinheiro oriundo da atividade criminosa por recursos aparentemente legais, inserindo os valores ilícitos no sistema financeiro formal.

As apurações também revelaram que parte dos valores arrecadados com a venda de drogas em Mato Grosso era encaminhada ao Rio de Janeiro, evidenciando uma rede estruturada para movimentação financeira e distribuição dos recursos da facção. O delegado Eugênio Rudy Junior, que coordena as investigações, explicou que o grupo desenvolveu um complexo esquema de lavagem de capitais para dificultar a identificação da origem dos recursos. “As investigações demonstraram que a facção criminosa utilizava empresas legalmente constituídas para mascarar a origem ilícita dos valores obtidos com o tráfico de drogas. O objetivo era conferir aparência de legalidade ao dinheiro e permitir sua circulação no mercado formal, dificultando a atuação dos órgãos de persecução criminal”, afirmou o delegado.

A Operação Fluxo Oculto representa a terceira fase de uma investigação iniciada no ano passado, quando equipes prenderam em flagrante dois integrantes da facção em Cláudia. Com o avanço das diligências, foi possível identificar a estrutura operacional do grupo, seus integrantes e os mecanismos utilizados para ocultar os lucros do tráfico de drogas.

Em março passado, a Operação Aurora Fronteiriça, também da Draco de Sinop, apreendeu 525 quilos de cocaína e pasta base de cocaína pertencentes ao mesmo grupo criminoso, representando uma das maiores apreensões de entorpecentes já realizadas no âmbito da investigação. Em maio, foi deflagrada a segunda fase, denominada Operação Vinculum Sanguinis, que resultou na apreensão de 25 quilos de pasta base de cocaína, R$ 169 mil em dinheiro, na prisão em flagrante de três pessoas ligadas à organização criminosa e no sequestro judicial de mais de R$ 3 milhões em bens e valores dos investigados.

As diligências revelaram que o grupo criminoso não se limitava ao tráfico de drogas em larga escala, mas mantinha uma complexa estrutura financeira destinada à ocultação e dissimulação dos recursos ilícitos obtidos com a atividade. As investigações prosseguem com a análise dos materiais apreendidos e dos dados obtidos a partir das medidas cautelares deferidas pelo judiciário.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.sonoticias.com.br

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