O setor agroindustrial de Santa Catarina intensificou seus esforços para reverter o veto da União Europeia (UE) à importação de carnes, utilizando um robusto arsenal de dados técnicos e científicos. A estratégia, que visa demonstrar o elevado padrão sanitário e de rastreabilidade da produção catarinense, é a principal aposta para reabrir um dos mais importantes mercados para a proteína animal do estado.

Representantes do governo estadual, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e das próprias agroindústrias têm participado de reuniões estratégicas e enviado vasta documentação técnica. O dossiê apresentado foca em comprovar o rigoroso controle sanitário em todas as etapas da cadeia produtiva, a eficácia dos sistemas de vigilância epidemiológica e a conformidade com as exigências europeias de bem-estar animal e segurança alimentar.

O veto da UE, implementado em resposta a preocupações gerais com a inspeção e a sanidade de produtos cárneos brasileiros em períodos anteriores, afetou significativamente as exportações de Santa Catarina. No entanto, as autoridades catarinenses argumentam que o estado possui um histórico diferenciado, sendo reconhecido internacionalmente pela excelência em sanidade animal, como o status de área livre de febre aftosa sem vacinação.

Um porta-voz da Secretaria de Estado da Agricultura de Santa Catarina afirmou que “nossos sistemas de vigilância e certificação estão entre os mais avançados do mundo. Temos laboratórios de ponta, uma equipe técnica altamente qualificada e um histórico comprovado de ausência de doenças que preocupam o mercado europeu. Os dados técnicos que estamos apresentando são irrefutáveis e demonstram a segurança e a qualidade da carne produzida aqui.”

A expectativa é que a análise detalhada dos documentos e, eventualmente, novas auditorias técnicas da UE no território catarinense possam dissipar quaisquer dúvidas restantes. Para o setor, a reabertura do mercado europeu é crucial. Santa Catarina é um dos maiores exportadores de carne do Brasil, com destaque para a carne suína e de aves, e o bloqueio impacta diretamente milhares de empregos e a receita gerada pelas exportações, que representam parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

Representantes do setor privado enfatizam a capacidade de adaptação da indústria catarinense às mais rigorosas normas internacionais. “Nossas plantas já são certificadas para diversos mercados exigentes. Acreditamos que a persistência e a clareza técnica dos nossos argumentos prevalecerão, e que em breve poderemos retomar plenamente o comércio com a União Europeia, um parceiro histórico e valioso”, declarou um diretor de uma das principais agroindústrias do estado.

As negociações continuam em andamento, com a delegação brasileira buscando agilizar o processo e apresentar todas as garantias necessárias para a retomada das exportações. A esperança é que a solidez técnica dos argumentos catarinenses possa, finalmente, desmantelar as barreiras e reabrir um dos mais importantes mercados para a proteína animal do estado.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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