Mesmo com a expectativa de uma produção recorde de milho para a safra 2025/26, os produtores de Mato Grosso enfrentam um cenário de rentabilidade cada vez mais apertada. O aumento expressivo dos custos de produção, somado à contínua queda nas cotações do cereal no mercado, tem reduzido drasticamente os ganhos no campo, acendendo um alerta para os próximos ciclos agrícolas no estado.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam que a produção estadual está projetada para alcançar 53,35 milhões de toneladas nesta safra, um crescimento notável de mais de 63% em relação às 32,56 milhões de toneladas colhidas na safra 2020/21. A área plantada também expandiu consideravelmente, passando de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares no mesmo período.

Apesar dos resultados robustos na produção, o mercado não tem acompanhado o mesmo ritmo de crescimento. Após atingir uma média de R$ 71,14 por saca em 2021, com picos próximos de R$ 80, o milho retornou a patamares de preços muito inferiores. Em 2026, a média registrada até junho é de R$ 45,31 por saca, pressionando a margem dos produtores.

Essa redução nos preços ocorre em um momento de custos operacionais crescentes. O Custo Operacional Efetivo (COE) saltou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 por hectare na temporada 2025/26. Insumos como fertilizantes, defensivos agrícolas, combustíveis e máquinas são os principais motores dessa elevação.

Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja Mato Grosso, destaca a forte oscilação das cotações como uma das maiores preocupações do setor. Segundo ele, os produtores vivenciaram um período de preços próximos a R$ 30 por saca, uma fase de valorização acima de R$ 70, e agora enfrentam novamente um mercado sob pressão. A consequência direta se manifesta na rentabilidade das lavouras. O Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA) despencou de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para R$ 683,18 por hectare em 2025/26.

As projeções para o próximo ciclo são ainda mais alarmantes. Para a safra 2026/27, a estimativa do Imea é de um LAJIDA de apenas R$ 70,96 por hectare, indicando uma margem de lucro extremamente estreita para o produtor rural.

Além da queda nos preços e do aumento dos custos, a grande oferta de milho no mercado também contribui para a pressão nas cotações. As safras recordes no Brasil e o avanço da colheita da segunda safra têm ampliado significativamente a disponibilidade do grão nos últimos anos. Problemas relacionados à armazenagem e ao escoamento da produção também agravam a situação, especialmente em Mato Grosso, que se consolida como o maior produtor de milho do país.

Diante desse panorama, representantes do setor alertam que a redução drástica da rentabilidade pode impactar diretamente os investimentos nas próximas safras. Com menos recursos disponíveis, muitos produtores podem ser forçados a diminuir gastos com tecnologia, fertilização e manejo adequado, fatores que, a longo prazo, comprometem a produtividade e a sustentabilidade da atividade agrícola. Para o setor, o desafio atual transcende a mera produção; o foco agora é garantir que a atividade se mantenha economicamente viável diante de custos elevados e preços cada vez mais pressionados.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.nortaomt.com.br

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