O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou neste domingo (13) para Évian-les-Bains, na França, onde participará, como convidado, da Cúpula do G7. Esta é a décima vez que o líder brasileiro integra o fórum das sete maiores economias industrializadas do planeta – Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, com a União Europeia também presente como membro institucional – ao longo de seus três mandatos. O encontro, presidido pela França, ocorre de 15 a 17 de junho e contará também com a presença de líderes de Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.
A viagem de Lula é marcada por uma série de expectativas, tanto para a agenda multilateral quanto para encontros bilaterais, alguns deles em meio a acentuados atritos diplomáticos. Um dos pontos de maior atenção é a possibilidade de interação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A relação entre os dois países vive um novo momento de tensionamento, duas semanas após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) indicar a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida é resultado de uma investigação de um ano do governo Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil, que, entre outras justificativas, acusa o Pix de prejudicar empresas estadunidenses de pagamentos eletrônicos como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay. Até o momento, não há confirmação de uma reunião bilateral, mas, segundo o embaixador Philip Fox-Drummond Gough, do MRE, os contatos entre os países seguem intensos. Este seria também o primeiro contato direto após a designação formal, pelos EUA, das facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como Organizações Terroristas Estrangeiras, uma decisão que o Brasil vinha tentando evitar por preocupações com possíveis ações militares ou sanções econômicas.
Outro foco de preocupação recai sobre a União Europeia. Há uma semana, o bloco oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil, com entrada em vigor prevista para 3 de setembro. A decisão, confirmada em documento oficial após a entrada em vigor provisória do acordo comercial Mercosul-União Europeia, gerou “surpresa” e “preocupação” no governo brasileiro, conforme declarado pelo embaixador Gough. Uma possível reunião com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ainda não foi definida.
Em contraste com as incertezas de outros encontros, uma reunião bilateral já está confirmada na agenda de Lula: com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher a assumir o principal cargo do Executivo no país asiático. O encontro é visto com expectativa para abrir negociações em torno de um futuro acordo do Japão com o Mercosul. Uma provável reunião com o anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron, também está prevista.
No âmbito das sessões deliberativas do G7, o Itamaraty confirmou a participação de Lula em três eventos. No dia 16, o presidente discursará sobre parcerias internacionais para o desenvolvimento, com a expectativa de cobrar a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), repasses financeiros dos países industrializados para nações mais vulneráveis. No dia 17, em outra sessão de líderes, Lula abordará o crescimento econômico equilibrado, defendendo a necessidade de reforma da governança global, incluindo instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda no dia 17, a comitiva brasileira participará de um almoço cujo tema central será a Inteligência Artificial.
Por Marcos Puntel