A indignação contra as fake news que sabotavam a vacinação, aliada à caneta, um computador com internet e a ideia de fazer a diferença, impulsionaram a jornalista Marta Alencar a fundar a Coar Notícias. Seu objetivo era claro: desmistificar mentiras, como a de que vacinados se transformariam em jacarés, e levar informação precisa a milhares de pessoas. O veículo, nascido da urgência em tempos de desinformação pandêmica, tornou-se um exemplo de como o jornalismo empreendedor tem se manifestado como uma resposta vital à crescente demanda por conteúdo confiável e contextualizado.

De fato, iniciativas como a de Marta não são isoladas. Dados recentes indicam que o número de veículos de jornalismo empreendedor triplicou nos últimos anos, um sinal da resiliência e da capacidade de reinvenção da profissão diante de um cenário midiático em constante transformação. Esses projetos, muitas vezes capitaneados por profissionais experientes ou novos talentos insatisfeitos com os modelos tradicionais, buscam nichos, aprofundam pautas e se conectam diretamente com suas comunidades.

Contudo, o crescimento exponencial do jornalismo independente é ofuscado por um desafio monumental: a concentração da receita publicitária digital. Enquanto esses novos veículos lutam para encontrar sustentabilidade e monetizar seu trabalho de alta qualidade, as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, abocanham cerca de 80% de toda a publicidade digital disponível. Essa disparidade gigantesca dificulta a monetização e o escalonamento de projetos essenciais como o Coar Notícias, que dependem de recursos para expandir seu alcance e manter a qualidade da apuração.

A batalha pela atenção e pelo financiamento é desleal, colocando em risco a viabilidade de um jornalismo que muitas vezes preenche lacunas deixadas por grandes corporações midiáticas ou que se dedica a temas específicos com profundidade. Mesmo diante desse cenário adverso, a proliferação de iniciativas empreendedoras demonstra a importância inegável do jornalismo sério e comprometido com a verdade. Ele não apenas combate a desinformação em momentos críticos, como a pandemia, mas também oferece perspectivas diversas e aprofundadas, fundamentais para uma sociedade bem informada e democrática. A persistência de jornalistas como Marta Alencar ressalta a urgência de encontrar modelos que garantam a sustentabilidade dessas vozes independentes, essenciais para o pluralismo e a qualidade da informação.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agencianossa.com

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