Mato Grosso deu início nesta segunda-feira (8) ao período do vazio sanitário da soja. A medida, que se estende até 7 de setembro, proíbe a existência de plantas vivas de soja em lavouras, margens de rodovias, áreas de armazenamento e quaisquer outros locais propícios à germinação espontânea da cultura. A iniciativa é crucial para o controle da ferrugem asiática, uma das mais severas doenças que afetam a oleaginosa, conforme alerta do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato).

Durante este período, os produtores rurais têm a responsabilidade de eliminar as chamadas plantas voluntárias, popularmente conhecidas como “tigueras” ou “guaxas”. Essas plantas, que brotam naturalmente após a colheita, servem como hospedeiras do fungo Phakopsora pachyrhizi, agente causador da ferrugem asiática. A Famato ressalta que a erradicação dessas plantas é vital para quebrar o ciclo da doença entre as safras, o que reduzirá significativamente a pressão do fungo sobre as futuras lavouras. Além disso, é esperado que os produtores monitorem suas áreas e tomem ações imediatas ao identificar quaisquer focos da doença.

As ações de fiscalização serão intensificadas ao longo do vazio sanitário, com a possibilidade de emissão de notificações para produtores que descumprirem a legislação ao manterem plantas voluntárias. Alex Rosa, analista técnico de Agricultura da Famato, reforça que as exigências se estendem também ao transporte de grãos e sementes de soja. As cargas devem ser devidamente acondicionadas para prevenir derramamentos em rodovias e vias públicas, um fator que pode estimular a germinação de plantas fora das áreas de cultivo. O desrespeito às normas pode acarretar notificações, eliminação de áreas irregulares, aplicação de multas e outras sanções previstas na legislação estadual de defesa sanitária vegetal.

O calendário fitossanitário da soja para a safra 2026/2027 já foi estabelecido por meio de Instrução Normativa Conjunta da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT). De acordo com a regulamentação, o plantio da soja no estado estará permitido entre 7 de setembro de 2026 e 7 de janeiro de 2027. O setor espera que o cumprimento rigoroso do vazio sanitário resulte na diminuição dos custos associados ao controle da ferrugem asiática, além de contribuir para a preservação da produtividade e a sustentabilidade da sojicultura mato-grossense.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.nortaomt.com.br

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