Uma pesquisa inovadora conduzida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está a caminho de transformar o cenário da fertilização agrícola no Brasil, oferecendo uma solução sustentável e economicamente vantajosa. Os estudos demonstraram que a estruvita, um fosfato de amônio e magnésio recuperado de dejetos suínos, pode substituir com eficácia os fertilizantes importados, impulsionando a produtividade em solos tropicais e reduzindo a dependência do país em relação ao mercado externo.

O Brasil, uma potência agrícola global, enfrenta o desafio da alta dependência de fertilizantes químicos importados, cujos preços e disponibilidade são frequentemente impactados por flutuações cambiais e tensões geopolíticas. Ao mesmo tempo, a gestão ambiental dos dejetos suínos representa uma preocupação crescente para produtores, devido ao seu potencial de poluição de solos e recursos hídricos se não for adequadamente tratada. A estruvita surge, portanto, como uma solução de dupla face: um subproduto que antes era um problema se transforma em um valioso insumo agrícola.

Os cientistas da Embrapa desenvolveram e aprimoraram métodos para a extração e purificação da estruvita a partir dos resíduos da suinocultura. Este composto se destaca por sua característica de liberação lenta de nutrientes, principalmente fósforo e nitrogênio, elementos cruciais para o desenvolvimento das plantas. Essa liberação gradual minimiza as perdas por lixiviação, otimiza a absorção pelas culturas e reduz o risco de contaminação ambiental, tornando-o mais eficiente e ecologicamente amigável do que muitos fertilizantes convencionais.

Os testes de campo, realizados em diversas regiões com solos tropicais – que possuem características específicas e frequentemente deficientes em nutrientes – revelaram resultados promissores. A aplicação da estruvita não apenas equiparou, mas em muitos casos superou, o desempenho dos fertilizantes sintéticos importados em termos de crescimento vegetal e produtividade das culturas. Os pesquisadores observaram melhorias significativas na produção de grãos, no desenvolvimento radicular e na saúde geral das plantas, contribuindo para uma agricultura mais robusta e resistente.

A adoção em larga escala da estruvita de dejetos suínos tem o potencial de gerar um impacto substancial na economia e no meio ambiente brasileiros. Economicamente, representa um passo fundamental para a autossuficiência agrícola, protegendo os produtores das oscilações do mercado internacional de fertilizantes e agregando valor a um resíduo da pecuária. Ambientalmente, a tecnologia contribui para a economia circular, transformando um efluente em um recurso, diminuindo a poluição e promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis. A pesquisa da Embrapa abre caminho para uma nova era na fertilização, onde a inovação e a sustentabilidade caminham lado a lado.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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