A economia brasileira apresenta um paradoxo notável: enquanto o agronegócio alcança recordes de produção e exportação, impulsionando a balança comercial, o setor industrial exibe um desempenho estagnado, perdendo participação no Produto Interno Bruto (PIB) e gerando preocupação sobre o futuro do desenvolvimento nacional.

O sucesso do agronegócio é inegável, beneficiado por safras robustas, inovação tecnológica, demanda global por commodities e um ambiente de negócios mais ajustado às suas particularidades. Sua pujança reflete-se na segurança alimentar do país e na capacidade de gerar divisas essenciais.

Contudo, o motor da indústria, tradicionalmente alavanca de empregos qualificados e inovação, patina. Um dos principais entraves para a competitividade do setor é o que se convencionou chamar de “Custo Brasil”. Este termo abarca um conjunto complexo de desvantagens estruturais que encarecem a produção nacional. Inclui desde a pesada carga tributária, complexa e cumulativa, até a infraestrutura logística deficiente, com portos congestionados, rodovias precárias e ferrovias subutilizadas. Soma-se a isso a burocracia excessiva, a dificuldade de acesso a crédito competitivo e a insegurança jurídica, que desestimulam investimentos e aumentam a incerteza para o empresário.

O resultado é uma perda progressiva de capacidade produtiva e de competitividade internacional, fenômeno que muitos economistas diagnosticam como desindustrialização precoce. Diferentemente de países desenvolvidos que viram sua indústria diminuir após atingirem um alto grau de diversificação e sofisticação econômica, o Brasil experimenta esse declínio antes mesmo de consolidar uma base industrial robusta e diversificada, capaz de absorver mão de obra qualificada e gerar valor agregado de forma consistente.

Essa tendência acarreta graves consequências. Significa menos empregos de maior remuneração, menor capacidade de inovação tecnológica própria e uma maior dependência de produtos importados e da exportação de commodities, tornando a economia mais vulnerável às flutuações do mercado internacional. A limitação da diversificação produtiva freia o potencial de crescimento de longo prazo e perpetua desafios sociais.

Para reverter essa trajetória e construir uma economia mais resiliente e inclusiva, torna-se imperativo atacar as raízes do Custo Brasil e fomentar um ambiente que estimule a inovação, a produtividade e o investimento industrial. O desafio de conciliar o avanço do agronegócio com a revitalização da indústria é central para o futuro do desenvolvimento brasileiro.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br

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