A Petrobras iniciou, neste feriado de 1º de maio, a operação da plataforma de produção de petróleo e gás P-79 no Campo de Búzios, Bacia de Santos, litoral do Sudeste, antecipando em três meses o cronograma previsto. A nova unidade, um navio-plataforma do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading, Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência), possui capacidade para produzir 180 mil barris de óleo e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos (m³) de gás natural por dia.

Sendo a oitava plataforma a operar em Búzios, sua entrada eleva a produção total do campo para cerca de 1,33 milhão de barris de óleo por dia. Além da produção de óleo, a P-79 contribuirá significativamente para a oferta de gás no país, adicionando até 3 milhões de m³ por dia via gasoduto Rota 3, com o gás sendo exportado para o continente.

A agilidade na entrada em operação é resultado de um planejamento estratégico que incluiu o envio de uma equipe da Petrobras a bordo do FPSO, ainda durante seu transporte da Coreia do Sul, onde foi construído, para adiantar os procedimentos de comissionamento (montagem para entrada em operação). Essa estratégia, já aplicada com sucesso na P-78 – que também opera em Búzios e entrou em funcionamento em dezembro de 2023 – permitiu um ganho de tempo crucial para o início da produção. A P-79 havia chegado ao Brasil em fevereiro.

Descoberto em 2010, o Campo de Búzios é o maior do Brasil em reservas de petróleo, tendo superado no ano passado a marca de 1 milhão de barris produzidos diariamente. Localizado a 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro – distância equivalente à de Brasília a Goiânia – e com reservatórios a 2 mil metros de profundidade – o equivalente a 38 estátuas do Cristo Redentor “empilhadas” –, Búzios é um ativo estratégico para a Petrobras e seus parceiros.

A P-79 integra o chamado Búzios 8, um módulo de produção que prevê 14 poços, sendo 8 produtores e 6 injetores, estes últimos essenciais para a manutenção da pressão do reservatório e para “empurrar” o petróleo em direção aos poços produtores. Com a P-79, o campo agora conta com oito FPSOs em operação, incluindo P-74, P-75, P-76, P-77, P-78, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré. A Petrobras já projeta a adição de mais quatro plataformas nos próximos anos, com três em construção (P-80, P-82 e P-83) e uma em licitação, reafirmando o potencial de Búzios. A produção de óleo e gás em Búzios é realizada em regime de consórcio, com a Petrobras como operadora e as empresas chinesas CNOOC e CNODC, além da Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA), estatal federal que representa a União, como parceiras.

A entrada em operação da P-79 ganha relevância especial em um cenário global de instabilidade nos preços do petróleo, agravado por um recente conflito no Oriente Médio. Desde 28 de fevereiro, um ataque envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã desencadeou tensões na região, um dos maiores polos produtores de petróleo e gás do mundo. O Estreito de Ormuz, passagem marítima vital que liga os golfos Pérsico e de Omã, por onde transita aproximadamente 20% da produção global de óleo e gás, tem sido ameaçado de bloqueio como retaliação iraniana. Essa situação gera distúrbios logísticos severos na indústria petrolífera, resultando em redução da oferta e, consequentemente, em um aumento acentuado dos preços no mercado internacional.

Por serem commodities, o petróleo e seus derivados, como gasolina e óleo diesel, são negociados a preços internacionais, o que explica a elevação dos valores mesmo em países produtores como o Brasil. Além disso, o país ainda depende da importação de parte de seus derivados, com cerca de 30% do consumo interno de diesel vindo do exterior. Diante disso, a Petrobras já manifestou o objetivo de tornar o Brasil autossuficiente em combustíveis em até cinco anos. Para mitigar o impacto da escalada de preços, o governo brasileiro tem implementado medidas como a isenção de impostos e subsídios a produtores e importadores.

Nesse contexto de desafios globais e metas nacionais de autossuficiência energética, a antecipação da P-79 no Campo de Búzios representa um marco estratégico para a Petrobras e para a segurança energética do Brasil, fortalecendo a capacidade produtiva e a resiliência do país frente às flutuações do mercado internacional.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *