A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alerta que o principal obstáculo para conter o retorno do sarampo nas Américas não é a falta de vacinas, mas sim a dificuldade em alcançar a população ainda não imunizada. Segundo Jarbas Barbosa, diretor da Opas, a percepção de baixo risco da doença, a desinformação e os obstáculos de acesso à vacina contribuem para o cenário atual, onde a queda da cobertura vacinal permite o ressurgimento do vírus. “É simples assim. O sarampo é uma das doenças mais infecciosas conhecidas”, afirmou.
A região das Américas, que em 2016 havia se tornado a primeira do mundo a eliminar o sarampo, perdeu esse status em 2018. Após reconquistá-lo em 2024, voltou a perdê-lo no ano seguinte. Dados da Opas revelam um aumento alarmante: em 2025, foram notificados 14.767 casos confirmados em 13 países das Américas, um número 32 vezes maior que no ano anterior. Até o início de abril de 2026, os casos já somam 15,3 mil, com México, Guatemala, Estados Unidos e Canadá respondendo pela maioria. O retorno da doença também trouxe mortes, com 32 óbitos registrados em 2025 e pelo menos 11 no primeiro trimestre de 2026, grande parte em populações vulneráveis.
Jarbas Barbosa enfatizou que um único caso de sarampo pode desencadear um surto se a cobertura vacinal não atingir a marca de 95% com as duas doses recomendadas. Ele ressaltou que, nos últimos 25 anos, a vacinação evitou mais de 6 milhões de mortes nas Américas. “Esse retorno do sarampo às Américas significa um atraso e precisamos realmente reverter isso por meio de ação decisiva”, declarou, apelando por compromisso político sustentável, investimentos em saúde pública e ações enérgicas para reconstruir a confiança nas vacinas e combater a desinformação. O diretor da Opas manifestou confiança na recuperação do status de região livre do sarampo, lembrando que já foi feito duas vezes e pode ser feito uma terceira.
No Brasil, apesar do contexto regional preocupante, o país mantém, desde 2024, o status de livre da circulação endêmica do vírus do sarampo. Em 2025, foram registrados 3.952 casos suspeitos, com 38 confirmações, sendo dez importados, 25 relacionados à importação e três com fonte de infecção desconhecida. Em 2026, até meados de março, o Brasil contabilizou 232 casos suspeitos e confirmou dois: uma criança de seis meses em São Paulo com histórico de viagem à Bolívia e uma jovem de 22 anos no Rio de Janeiro, ambas sem vacinação comprovada. O Ministério da Saúde permanece em alerta para o risco de novos casos, especialmente após eventos de grande circulação de pessoas.
O sarampo é uma doença viral infecciosa aguda, altamente contagiosa e potencialmente grave, transmitida principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias. O vírus pode se espalhar rapidamente em ambientes aglomerados. Os sintomas incluem febre, tosse, coriza, perda de apetite, conjuntivite com olhos vermelhos e fotofobia, além de manchas vermelhas na pele que surgem no rosto e se espalham pelo corpo. A doença pode levar a complicações sérias como cegueira, pneumonia e encefalite.
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e parte do calendário básico de vacinação infantil. A primeira dose da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, é aplicada aos 12 meses de idade, seguida pela segunda dose aos 15 meses. É fundamental que qualquer pessoa com até 59 anos que não possua comprovante de imunização ou não tenha completado o esquema vacinal atualize sua carteira.
Por Marcos Puntel