
O processo teve início ainda na primeira sessão ordinária de 2026, realizada no dia 5 de fevereiro, quando os vereadores analisaram denúncias apresentadas contra o Executivo. Na ocasião, com a presença de todos os parlamentares e participação expressiva da população, o plenário decidiu pelo recebimento das denúncias, autorizando a abertura formal da investigação.
Durante a mesma sessão, foi realizado o sorteio dos membros da Comissão Processante, responsável por conduzir a apuração. O grupo é formado pelos vereadores Maria Santiago, Ronney Fernandes e Constantino de Almeida. A definição dos cargos internos, como presidente e relator, ainda não foi oficialmente divulgada, mas os trabalhos investigativos já estão em andamento.
As denúncias anexadas ao processo apontam uma série de possíveis irregularidades administrativas atribuídas à gestão municipal ao longo de 2025. Entre os principais pontos investigados estão:
Supostas infrações político-administrativas, com base no Decreto-Lei nº 201/1967, que trata da responsabilidade de prefeitos;
Possível desvio de bens públicos, envolvendo a destinação de madeira retirada do Pronto Atendimento Municipal durante reforma, cujo valor pode ultrapassar R$ 60 mil;
Uso de veículo oficial para fins particulares, incluindo deslocamentos até propriedade rural da família do prefeito;
Suposta perseguição política a servidores da saúde, com afastamentos e transferências após as eleições de 2024 — caso que chegou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso, que determinou o retorno dos profissionais às funções de origem;
Perseguição funcional ao procurador do município, que teria sofrido retaliações após denunciar possíveis irregularidades ao Ministério Público;
Pagamento em duplicidade a empresa contratada, relacionado à construção de tapumes do monumento Cristo Redentor, com posterior devolução via Termo de Ajustamento de Conduta (TAC);
Possível favorecimento a empresas, incluindo relações com prestadoras de serviços de outros estados.
A Câmara informou que todo o processo segue os princípios legais, assegurando o direito à ampla defesa e ao contraditório. As oitivas realizadas nesta segunda-feira são consideradas fundamentais para a coleta de depoimentos e esclarecimento dos fatos.
Ao final dos trabalhos, a Comissão Processante deverá emitir um parecer que será submetido ao plenário, responsável pela decisão final sobre o caso. A movimentação tem sido acompanhada de perto pela população, diante da relevância política e administrativa para o município.
Por: Marcos Puntel / Redação Papo de Revista