O presidente nacional do Cidadania e deputado federal por São Paulo, Alex Manente, está prestes a deflagrar uma ofensiva jurídica de grande escala contra a corrente interna do partido ligada ao ex-deputado Comte Bittencourt, do Rio de Janeiro. A medida, que deve ser iniciada nos próximos dias, marca uma escalada dramática na disputa pelo comando e pela orientação política da legenda, que se arrasta há meses e agora migra dos bastidores para o âmbito judicial.
A iniciativa de Manente, líder de uma das principais alas que buscam determinar os rumos do Cidadania, visa questionar legalmente decisões internas, processos eleitorais ou a legitimidade de ações tomadas pela facção adversária. Fontes próximas ao deputado indicam que a estratégia busca não apenas reafirmar a sua liderança, mas também redefinir as bases estatutárias e regimentais do partido, em meio a acusações de irregularidades e manipulação de estruturas internas pela ala de Bittencourt.
A rivalidade entre os dois grupos reflete não apenas uma disputa por poder, mas também por visões distintas sobre o futuro do Cidadania no cenário político brasileiro. Enquanto um lado defende uma maior aproximação com determinados blocos partidários e uma postura mais pragmática, o outro prega a manutenção de uma identidade mais ideológica e independente. O impasse tem paralisado importantes decisões e atrasado a articulação para as próximas eleições, tornando o clima interno insustentável.
A expectativa é de que a ação judicial proposta por Manente provoque uma reação imediata do grupo de Comte Bittencourt, que já se prepara para contestar as alegações na justiça e defender a legalidade de suas ações. Este embate público e jurídico promete expor as profundas divisões dentro do Cidadania e pode ter consequências significativas para a estabilidade e a própria existência da sigla, dependendo dos desdobramentos nos tribunais. A movimentação acentua a crise interna e coloca o partido sob os holofotes, à espera de um desfecho que defina sua governança e sua projeção política para os próximos anos.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br