O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta terça-feira a guerra no Irã, apontando-a como a principal responsável pela escalada do preço internacional do petróleo e, consequentemente, do óleo diesel no Brasil. Com o país importando cerca de 30% de seu consumo interno, a alta nos combustíveis impacta diretamente a inflação, levando o governo a anunciar medidas para conter essa pressão.

Durante evento em São Paulo que celebrou os 21 anos do Programa Universidade Para Todos (Prouni) e os 14 anos da Lei de Cotas Raciais, Lula afirmou que o governo está tomando “todas as medidas possíveis para evitar que se aumente o óleo diesel”. Ele responsabilizou a venda da BR Distribuidora, ocorrida na gestão anterior, pela dificuldade em controlar os preços na ponta. “Quando a gente não sobe o preço, mesmo que a Petrobras baixe o preço, ele não chega na ponta, porque os atravessadores não deixam”, declarou o presidente, garantindo que órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público atuarão na fiscalização. “Nós só vamos sossegar quando o preço do óleo diesel não subir, porque a guerra é do Trump, a guerra não é do povo brasileiro e a gente não tem que ser vítima dessa guerra”, enfatizou.

Dirigindo-se a uma plateia de centenas de estudantes, Lula traçou um panorama do cenário geopolítico e alertou para as consequências da guerra no Irã na economia doméstica. “O preço do combustível subindo vai chegar no alface, vai chegar no feijão, vai chegar no arroz, vai chegar em tudo que a gente compra”, disse. Ele fez um apelo direto aos líderes das cinco maiores potências militares e membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) – Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia –, criticando-os por, segundo ele, promoverem conflitos em vez de paz. “É preciso dar um recado a esses cinco senhores membros do Conselho de Segurança da ONU: criem juízo. O mundo precisa de paz, o mundo não precisa de guerra”, declarou, lembrando que a ONU foi criada para manter a paz mundial.

Em resposta à crise, o governo federal deve publicar ainda esta semana uma medida provisória (MP) que institui um subsídio ao diesel importado. A proposta prevê um desconto de R$ 1,20 por litro, com um custo total estimado em R$ 3 bilhões ao longo de dois meses. A despesa será dividida igualmente entre a União e os estados, com cada ente arcando com R$ 0,60 por litro subsidiado. A informação foi confirmada nesta terça-feira pelo ministro Dario Durigan, que busca garantir a adesão dos estados antes da publicação. A iniciativa visa conter a escalada dos preços e evitar riscos de desabastecimento, dada a defasagem entre os valores internos e os do mercado internacional.

A guerra no Irã, marcada por ataques combinados de Estados Unidos e Israel ao território iraniano desde o fim de fevereiro, completou um mês sem perspectivas concretas de um acordo de paz. Desde o início do conflito, o preço do barril de petróleo já registrou um aumento de cerca de 50%. Relatórios recentes apontam para riscos ambientais e climáticos associados aos combates, que ocorrem no Oriente Médio, uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo, com o Irã enfrentando a ameaça de uma invasão terrestre por tropas norte-americanas.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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