São Paulo, 25 de março de 2026 – O cônsul-geral da China em São Paulo, Yu Peng, declarou nesta segunda-feira ser “inaceitável” a interferência política externa em atividades empresariais realizadas no Brasil. A afirmação foi feita em um evento empresarial na capital paulista, onde o diplomata sublinhou a importância da autonomia nas decisões econômicas e comerciais.
A declaração de Yu Peng ressalta a preocupação de Pequim com a potencial influência de fatores geopolíticos nas relações comerciais e de investimento do Brasil, especialmente em um cenário global complexo. Embora não tenha detalhado a natureza específica das interferências ou os países envolvidos, a mensagem é interpretada como um apelo à manutenção de um ambiente de negócios neutro e focado puramente em aspectos econômicos.
A China é, atualmente, o maior parceiro comercial do Brasil e um dos principais investidores estrangeiros no país, com forte presença em setores estratégicos como infraestrutura, energia, tecnologia e agronegócio. A estabilidade e a previsibilidade do ambiente regulatório e político brasileiro são, portanto, cruciais para a continuidade e a expansão desses investimentos, que têm gerado empregos e impulsionado o desenvolvimento em diversas cadeias produtivas.
A postura do cônsul-geral reflete o desejo chinês de que as parcerias econômicas bilaterais sejam guiadas por princípios de mercado e benefício mútuo, sem a intromissão de agendas políticas que possam desvirtuar a lógica empresarial ou comprometer a soberania econômica do Brasil. A manifestação ocorre em um período em que nações emergentes, como o Brasil, buscam equilibrar suas relações com as grandes potências mundiais, mantendo uma política externa pragmática e focada em seus interesses nacionais.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br