Natal (RN) – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RN) marcou seu evento de pré-candidatura à Presidência, realizado no último sábado (21) em Natal (RN), com uma mensagem que ecoou questionamentos nos bastidores políticos. Durante o ato, um jingle foi veiculado, declarando que “o centrão vai cair do cavalo” e desqualificando a “terceira via” como “sequelada”, em um contraste direto com a estratégia do senador de angariar o apoio de legendas dessa mesma frente política.

O encontro na capital potiguar, que reuniu apoiadores e lideranças locais, serviu como plataforma para o lançamento de slogans e conceitos que deverão guiar a campanha de Flávio. O jingle, com sua melodia e letra incisiva, buscou galvanizar a base bolsonarista mais radical, conhecida por sua retórica anti-establishment e ceticismo em relação a articulações tradicionais.

A provocação musical, no entanto, surge em um momento delicado para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Desde dezembro, quando anunciou ter sido o escolhido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para disputar o Palácio do Planalto, o senador tem dedicado esforços à construção de pontes com partidos do chamado centrão. Entre as legendas cortejadas estão o União Brasil, o PP e o Republicanos, consideradas cruciais para a formação de uma base parlamentar e a obtenção de tempo de rádio e televisão.

A decisão de Flávio em detrimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também é do Republicanos — um dos partidos que o senador agora busca em sua aliança — adiciona uma camada de complexidade à situação. A escolha de Flávio por Jair Bolsonaro, na época, já havia repercutido no tabuleiro político, especialmente pela filiação de Tarcísio a uma das siglas que agora são alvo indireto da retórica do filho do ex-presidente. A fala sobre a “terceira via sequelada”, por sua vez, mira nos adversários que buscam uma alternativa aos polos tradicionais da política brasileira, reforçando a polarização.

A estratégia de Flávio Bolsonaro, ao mesmo tempo em que tenta consolidar uma imagem de ruptura com a política tradicional, enfrenta o desafio de conciliar esse discurso com a necessidade de construir amplas alianças para tornar sua candidatura viável. A repercussão do jingle nos bastidores políticos promete pautar as próximas rodadas de negociação e os movimentos dos partidos do centrão.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://redir.folha.com.br

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