A Série A do Campeonato Brasileiro chega à sua oitava rodada com um alarmante número de oito técnicos demitidos, consolidando um cenário de intensa instabilidade nas comissões técnicas. A mais recente vítima dessa cultura de resultados imediatos é o argentino Martín Anselmi, desligado do comando do Botafogo na manhã deste domingo, 22 de março.

Anselmi, que havia assumido o Glorioso há poucas semanas, não resistiu à pressão após uma sequência de performances consideradas abaixo do esperado, culminando em sua saída poucas rodadas após o início da competição. A decisão do clube carioca reflete uma tendência que se aprofunda a cada ano no futebol nacional, onde a paciência com o trabalho de longo prazo parece rarear.

O Botafogo agora se junta a uma lista crescente de clubes que optaram por trocar o comando técnico logo nas primeiras semanas de disputa. Essa rotatividade excessiva, que já atinge a média de um treinador demitido por rodada, levanta questões sobre o planejamento estratégico das equipes, o impacto financeiro das rescisões contratuais e a possibilidade de desenvolvimento de um projeto técnico consistente em meio a tanta volatilidade.

Especialistas e analistas do esporte frequentemente apontam a cultura da vitória a qualquer custo e a influência de torcidas e mídias sociais como fatores que contribuem para a precipitação de demissões. A busca por um “choque de gestão” ou uma “nova cara” no banco de reservas, muitas vezes, não se traduz em melhoria imediata de desempenho, mas sim em um ciclo vicioso de troca de comando que pouco contribui para a consolidação de identidades de jogo ou para a estabilidade dos elencos.

Enquanto a bola continua rolando e a disputa pelo título e contra o rebaixamento se intensifica, a Série A do Brasileirão de 2026 desenha-se como uma temporada de alta volatilidade, onde a cadeira de técnico se mostra cada vez mais um dos postos de trabalho mais precários do país. A expectativa é que o ritmo de trocas persista, a menos que os clubes revisem suas estratégias e priorizem a construção de projetos de longo prazo em detrimento da busca por soluções imediatistas.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://redir.folha.com.br

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