Na manhã desta quinta-feira, 21 de março de 2026, deputados de oposição ao governo Tarcísio de Freitas manifestam ceticismo quanto à efetividade dos pedidos de cassação do mandato da deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP), protocolados na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Apesar da tramitação formal, o sentimento nos corredores da Casa é de que as iniciativas teriam mais um caráter político do que uma real chance de sucesso.
Os pedidos de perda de mandato da parlamentar do PL foram protocolados por membros de partidos de esquerda, alegando quebra de decoro parlamentar e uso indevido da estrutura legislativa para promoção pessoal. Os argumentos centrais giram em torno de supostas declarações polêmicas feitas pela deputada em redes sociais e eventos públicos, além de acusações de uso indenvido de sua influência para fins pessoais.
Para líderes da oposição, que preferiram não ter seus nomes divulgados neste estágio, a força política da bancada governista e a complexidade dos ritos regimentais da Alesp são fatores que dificultam sobremaneira o avanço de qualquer processo de cassação. “São pedidos que, naturalmente, precisam ser protocolados quando há indícios de infração, mas a prática política nos mostra que a probabilidade de uma cassação é baixíssima, especialmente quando se trata de um nome com a projeção da deputada Fabiana e seu alinhamento com o governo”, avaliou um dos parlamentares. Ele ressaltou que muitos veem as iniciativas como uma estratégia para desgastar a imagem da deputada e do próprio campo político que ela representa, sem que haja substância jurídica suficiente para um desfecho punitivo extremo.
Fabiana Bolsonaro, por sua vez, rechaçou veementemente as acusações. Em nota divulgada pela sua assessoria, a deputada classificou os pedidos como “perseguição política” e “tentativa de silenciar vozes conservadoras” na Assembleia. Ela afirmou estar tranquila e confiante na legalidade de suas ações e declarações, prometendo apresentar sua defesa formalmente caso os processos avancem e sejam acolhidos pelos conselhos internos da Casa.
O rito de cassação na Alesp prevê a análise inicial dos pedidos pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que emite um parecer. Em seguida, o tema é votado em plenário, exigindo um quórum qualificado para aprovação. A complexidade do processo e a necessidade de maioria absoluta para qualquer sanção, especialmente a perda do mandato, são fatores que reforçam o ceticismo da oposição quanto ao desfecho. A Alesp, atualmente, apresenta uma bancada de governo com significativa força, o que historicamente dificulta o avanço de processos de cassação contra parlamentares alinhados à gestão executiva.
Ainda assim, a movimentação política em torno dos pedidos de cassação de Fabiana Bolsonaro promete manter aceso o debate sobre ética e conduta parlamentar nas próximas semanas, adicionando um novo capítulo à já dinâmica relação entre governo e oposição no legislativo paulista.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br