A ameaça de uma nova greve dos caminhoneiros surgiu abruptamente, colocando o país em alerta máximo para possíveis interrupções na cadeia de abastecimento. Representantes da categoria anunciaram a intenção de paralisar as atividades a partir da próxima segunda-feira, dia 15 de abril, caso suas reivindicações não sejam atendidas pelo governo federal.
Entre as principais exigências apresentadas pelos líderes dos movimentos autônomos e sindicatos regionais estão a redução imediata do preço do diesel, a criação de um piso mínimo para o frete com correção periódica e o fim da cobrança de pedágios por eixo suspenso em veículos vazios. João Santos, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Rodoviários Autônomos (CNTTA), declarou que “a situação se tornou insustentável. Não podemos mais trabalhar para pagar combustível e pedágio. Nossas famílias dependem disso”.
A mobilização resgata o fantasma das paralisações anteriores, que em 2018 e 2021 causaram graves desabastecimentos em todo o território nacional, impactando setores vitais da economia. O setor de transporte de cargas tem enfrentado desafios crescentes, com a volatilidade dos preços dos combustíveis e a alta dos custos operacionais corroendo a margem de lucro dos caminhoneiros e, em muitos casos, inviabilizando a operação de autônomos e pequenas empresas.
O governo federal, por meio do Ministério da Infraestrutura e da Casa Civil, já se manifestou, expressando preocupação com a ameaça e afirmando estar aberto ao diálogo. No entanto, fontes próximas às negociações indicam que as conversas ainda não progrediram para um consenso, com os caminhoneiros mantendo-se firmes em suas exigências. O Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Dantas, em coletiva de imprensa, reiterou o compromisso com a categoria, mas alertou sobre os impactos negativos de uma paralisação na recuperação econômica do país. “Estamos empenhados em buscar soluções que beneficiem a todos, sem comprometer a estabilidade econômica”, afirmou.
Analistas econômicos alertam para as severas consequências que uma greve de grandes proporções poderia acarretar, desde a escassez de produtos básicos em supermercados e postos de combustíveis até a interrupção da produção industrial e agrícola. Empresas de logística já começaram a traçar planos de contingência, enquanto consumidores se mostram apreensivos com a possibilidade de um novo período de incertezas e desabastecimento. A expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para definir o futuro do movimento, com a pressão aumentando sobre governo e líderes da categoria para encontrarem uma saída que evite o iminente colapso da logística nacional.
Por Marcos Puntel