A Polícia Civil deflagrou, hoje, a Operação Joio para desarticular um grupo criminoso envolvido no furto qualificado de mais de R$ 1,1 milhão em cargas de soja. A ação cumpriu 11 mandados de prisão preventiva, 11 de busca e apreensão, além de 12 sequestros de veículos, 11 bloqueios de contas bancárias e quebra de sigilos telemáticos. Os mandados foram executados nas cidades de Barra do Bugres, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra, Guarantã do Norte e Diamantino.
Segundo as investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o grupo criminoso está envolvido em pelo menos 14 carregamentos irregulares de grãos. Tais desvios resultaram em aproximadamente 701 toneladas de soja furtadas de uma fazenda localizada em Campo Novo do Parecis. Os crimes ocorreram entre os dias 02 e 09 de maio do ano passado, causando um prejuízo estimado em R$ 1,1 milhão à empresa vítima.
O esquema criminoso era estruturado e contava com a participação de funcionários ligados ao processo de carregamento de grãos, classificadores (balanceiros) e motoristas. Caminhões ingressavam na propriedade rural com ordens de carregamento falsificadas, sem a devida conferência documental e sem a realização da classificação obrigatória da carga. Após o carregamento irregular, os veículos deixavam o local transportando a soja desviada para destino desconhecido.
Para viabilizar a fraude, o grupo realizava o pagamento de vantagens indevidas a integrantes responsáveis pelo controle de acesso e classificação dos grãos, que permitiam a saída dos caminhões sem os procedimentos exigidos. Os valores eram repassados por meio de transferências bancárias, muitas vezes utilizando contas de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro e dificultar o rastreamento das transações.
O nome da operação, Joio, faz alusão à necessidade de separar o que é legítimo do que é fraudulento dentro da cadeia produtiva, simbolizando o trabalho investigativo de identificar e remover do sistema os envolvidos no esquema criminoso.
Por Marcos Puntel