O cenário do fisiculturismo tem testemunhado uma expansão notável, impulsionada em grande parte pelo crescimento da modalidade testada, que busca valorizar atletas sem o uso de substâncias para aprimoramento de desempenho. Contudo, junto a essa ascensão, acirram-se também os debates e os embates velados entre competidores que optam por uma abordagem natural e aqueles que utilizam recursos hormonais. Essa dicotomia tem gerado tensões crescentes dentro do meio, levantando discussões sobre ética, padrões de competição e a própria essência do esporte.
Em meio a este cenário polarizado, Tamer El Guindy, figura proeminente no fisiculturismo internacional e representante oficial da Federação Internacional de Fisiculturismo & Fitness (IFBB) no Brasil, expressou sua profunda preocupação com a situação. El Guindy, que ocupa o cargo de CEO da Musclecontest, uma das maiores promotoras de eventos da modalidade no país e ligada à liga profissional da IFBB, classificou a persistente rixa entre atletas naturais e hormonizados como uma “completa ignorância”.
Para o dirigente, a insistência nessa divisão não contribui para o avanço da modalidade, que já se esforça para ganhar reconhecimento e desmistificar preconceitos. A visão de El Guindy sugere que o foco deveria estar na performance, na dedicação e no profissionalismo de cada atleta, independentemente da metodologia de treino ou preparação, desde que respeitadas as regras de cada categoria. A retórica de divisão, segundo ele, desvia a atenção dos verdadeiros valores do esporte e pode prejudicar sua imagem e crescimento futuro, tanto no Brasil quanto globalmente.
Por Marcos Puntel
Fonte: https://redir.folha.com.br