A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira uma operação que apura um esquema milionário de fraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com a suspeita de participação de uma deputada federal no desvio de recursos destinados a aposentados e pensionistas. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Brasília e em São Paulo, em endereços ligados à parlamentar e a outros envolvidos no esquema.
A investigação, que tramita sob sigilo na Justiça Federal, aponta que o esquema consistia na manipulação de processos de concessão de benefícios, utilizando documentos falsos e “laranjas” para desviar valores que deveriam ir para segurados legítimos. A suspeita é que a deputada utilizava sua influência política e contatos dentro da autarquia para facilitar a aprovação de benefícios fraudulentos, agilizar pagamentos indevidos e proteger integrantes da organização criminosa em troca de vantagens financeiras.
Estima-se que o prejuízo aos cofres públicos e aos segurados lesados possa ultrapassar a marca dos R$ 70 milhões. As fraudes teriam sido aplicadas ao longo dos últimos três anos, afetando centenas de pessoas que tiveram seus direitos previdenciários comprometidos ou não efetivados devido à ação do grupo.
Em nota preliminar, a Polícia Federal informou que a operação visa desarticular uma rede criminosa complexa e que os nomes dos envolvidos e detalhes do inquérito serão preservados até a conclusão da fase investigatória. O material apreendido, incluindo documentos, computadores e dispositivos eletrônicos, será agora analisado para fortalecer o inquérito.
A defesa da parlamentar, procurada pela reportagem, afirmou que a deputada “recebeu a notícia com surpresa e indignação” e que “está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários, comprovando sua inocência diante das infundadas acusações”. O partido ao qual a deputada é filiada declarou, por meio de sua assessoria, que “acompanha o caso com atenção e confiança na Justiça, aguardando o desenrolar das investigações para se posicionar de forma oficial”.
Os envolvidos poderão ser indiciados por crimes como peculato, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, entre outros, dependendo da apuração final da PF.
Por Marcos Puntel