O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu apuração rigorosa e punição a todos os envolvidos no escândalo do Banco Master, que gerou prejuízos bilionários a investidores e entidades públicas e privadas. A declaração foi dada ao jornalista José Luiz Datena, na estreia do programa “Na Mesa com Datena”, exibido na noite desta terça-feira na TV Brasil.

Segundo Alckmin, a fraude financeira não é recente. “Você não tem um desfalque, uma fraude, do ponto de vista bancário, que começou ontem. Isso vem lá de trás”, afirmou. Ele apontou para a existência de envolvimentos de pessoas dentro do Banco Central, órgão responsável pela fiscalização e acompanhamento do sistema financeiro, ressaltando a necessidade de uma apuração e punição rigorosas. O vice-presidente assegurou a total liberdade investigativa da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, enfatizando que o presidente Lula tem sido claro ao não limitar nenhuma investigação, visando apurar e fazer justiça. Além disso, defendeu o aprimoramento dos instrumentos de controle e o fortalecimento das instituições, incluindo o Banco Central, como um processo permanente para melhorar a transparência na democracia.

O escândalo envolve fraudes bilionárias apuradas pela Operação Compliance Zero, que causaram um rombo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para ressarcimento a investidores. Na semana passada, o financista Daniel Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal, na terceira fase da operação. A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase, onde Vorcaro ameaça jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.

Na mesma entrevista, Alckmin confirmou sua saída do cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio no dia 2 de abril. A medida é uma exigência da legislação eleitoral para que ele possa disputar cargos públicos nas eleições de outubro, já que a desincompatibilização de cargos executivos deve ocorrer até seis meses antes do pleito, com data limite em 4 de abril. O vice-presidente esclareceu que não precisa deixar a vice-presidência, permanecendo no posto enquanto as tratativas eleitorais se definem.

Ao comentar os efeitos econômicos da guerra no cenário global, Alckmin previu que o Brasil não deverá ser tão atingido pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, devido à sua dependência maior do comércio internacional com China, União Europeia, Argentina e os próprios EUA, zonas distantes da região conflagrada. No entanto, reconheceu que o encarecimento do petróleo já afeta a gasolina e o diesel no país.

Sobre as eleições, Alckmin afirmou que o cenário eleitoral mundial está marcado pela polarização. Contudo, ele se mostrou otimista com a percepção da sociedade sobre o bom momento econômico do Brasil, destacando o desemprego no menor nível da série histórica e a inflação em 4,2%, também a menor. Mencionou ainda o ganho real do salário mínimo, que beneficia grande parte dos aposentados e pensionistas do país.

Datena também questionou Alckmin sobre os desafios do combate ao crime. O vice-presidente destacou a aprovação recente da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública pela Câmara dos Deputados, atualmente em análise no Senado. A proposta original, apresentada pelo governo, cria o Sistema Único de Segurança Pública, buscando melhorar a integração entre as forças de segurança. Para Alckmin, um dos pontos-chave é o fortalecimento das polícias municipais, que estarão mais próximas da população local. A PEC também atribui expressamente à Polícia Federal o combate a crimes de organizações e milícias privadas com repercussão interestadual ou internacional, e a Polícia Rodoviária Federal terá sua atuação estendida para ferrovias e hidrovias federais. Alckmin defendeu, ainda, o aumento de pena contra o crime organizado e a necessidade de prisão dos líderes criminosos.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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