Relatórios técnicos internos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) alertam para um “risco elevadíssimo” que paira sobre o setor de fertilizantes no Brasil. Os documentos, elaborados por especialistas da pasta, descrevem a profunda vulnerabilidade do país no abastecimento desses insumos cruciais para a produção agrícola, um cenário que pode ter graves repercussões econômicas e sociais.
A análise aponta a esmagadora dependência brasileira de fertilizantes importados como o principal vetor desse risco. Cerca de 85% dos insumos utilizados na lavoura nacional provêm do mercado externo, tornando o agronegócio do país, um dos maiores produtores de alimentos do mundo, refém de flutuações geopolíticas, interrupções nas cadeias de suprimento e variações bruscas de preços internacionais.
Os técnicos detalham que a situação se agravou nos últimos anos, especialmente com eventos como o conflito no leste europeu, que expôs a fragilidade brasileira ao impactar diretamente grandes fornecedores de potássio e nitrogênio. A escassez ou encarecimento desses produtos não apenas eleva os custos de produção para os agricultores, mas também ameaça a rentabilidade das safras e, consequentemente, a segurança alimentar e a inflação interna.
Os relatórios do Mapa não se limitam a diagnosticar o problema, mas sublinham a necessidade urgente de estratégias que mitiguem essa exposição. Entre as sugestões implícitas nos documentos, estão o incentivo à produção nacional de fertilizantes, a diversificação de mercados fornecedores e o investimento em pesquisa para o desenvolvimento de alternativas e tecnologias que otimizem o uso dos insumos existentes.
A complexidade do desafio reside na magnitude do consumo brasileiro, que exige volumes colossais para sustentar as lavouras de grãos, cana-de-açúcar e outras culturas. A carência de uma política de longo prazo para a autossuficiência ou, ao menos, para uma maior autonomia no setor de fertilizantes, é um ponto central das preocupações levantadas pelos técnicos. A atual conjuntura demanda uma revisão estratégica profunda para proteger um dos pilares da economia brasileira.
Por Marcos Puntel