Brasília, 03 de fevereiro de 2026 – 17h00 – A recente escalada dos conflitos no Oriente Médio, desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã neste sábado (28), projeta uma sombra de incerteza sobre o agronegócio brasileiro. As exportações de frango e milho, dois dos principais produtos vendidos pelo Brasil à região, são as que mais correm o risco de serem severamente afetadas.

A série de ataques representa um agravamento significativo das tensões geopolíticas, transformando o Oriente Médio em um palco de crescente instabilidade. Para o Brasil, um dos maiores celeiros do mundo, esta é uma notícia com profundas implicações econômicas. A região é um mercado estratégico e de alto volume para a proteína animal e o grão produzidos em solo nacional.

Historicamente, o mercado do Oriente Médio absorve uma parcela considerável da produção avícola e de milho do Brasil, sendo crucial para o desempenho do setor exportador brasileiro. A intensificação do conflito pode levar a entraves logísticos, como o aumento dos custos de frete marítimo, dificuldades nos seguros de carga e uma maior volatilidade nos preços do petróleo, impactando diretamente os custos de produção e transporte.

Analistas do setor já alertam para a possibilidade de uma retração na demanda ou na capacidade de importação por parte dos países da região, caso a instabilidade persista ou se aprofunde. Produtores e exportadores brasileiros acompanham os desdobramentos com apreensão, buscando avaliar os impactos potenciais em suas cadeias de suprimentos e nos contratos já estabelecidos. A dependência de rotas marítimas seguras e de um ambiente comercial estável torna as vendas para o Oriente Médio particularmente sensíveis a qualquer perturbação geopolítica.

O governo e o setor privado, em colaboração com entidades representativas do agronegócio, estão atentos aos desdobramentos e buscam estratégias para mitigar os riscos. Contudo, o cenário atual exige cautela e preparo para possíveis adversidades, que podem afetar o volume e o valor das exportações de dois dos pilares da balança comercial brasileira.

Por Marcos Puntel

Fonte: https://redir.folha.com.br

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